Durante entrevista concedida ao programa Ponto Final, da rádio Jovem Pan, neste sábado (18/7), o deputado federal Alberto Fraga voltou a defender o modelo atual das carreiras policiais e fez declarações que acenderam o estopim de uma crise de indignação generalizada nas forças de segurança. Ao se posicionar rigidamente contra o projeto de carreira única, o parlamentar adotou uma postura de forte elitismo institucional que atinge em cheio a dignidade de quem está na ponta da linha, disparando ataques que ridicularizam os praças, menosprezam os policiais veteranos e atacam a formação da Polícia Civil.
Ao tentar rechaçar o projeto de carreira única na Polícia Militar, Fraga justificou seu posicionamento desqualificando o tempo de serviço da base. Segundo o deputado, permitir que praças ascendam naturalmente ao oficialato faria com que a corporação permanecesse em uma “coisa viciada”, alegando que apenas o ingresso direto de oficiais traz “oxigenação” com pessoas vindas de fora da caserna. A declaração foi recebida como um insulto nos quartéis, pois reduz décadas de dedicação nas ruas a um mero vício burocrático e sem valor intelectual.
A humilhação aos praças ganhou contornos ainda mais graves quando o parlamentar comparou a estrutura da PM às profissões da construção civil. Fraga afirmou categoricamente que a relação entre praças e oficiais é “como mestre de obras e engenheiro”. Com essa comparação, o deputado rebaixa a base ao papel de operários braçais da construção civil, tentando fixar um teto profissional intransponível e ignorando o fato de que os policiais da base são profissionais qualificados.
Para fechar o cerco de provocações, Alberto Fraga também desqualificou os delegados de polícia. Ao tratar da unificação, o deputado alegou que um coronel da PM teria plenas condições de ser delegado por possuir formação em Direito, mas que o inverso seria impossível porque um delegado “não aprendeu a marchar” nem recebeu formação militar. A fala gerou forte repúdio nas delegacias por tentar reduzir a capacidade de investigação policial ao simples ato de marchar, um ritual militar ultrapassado que nada agrega à segurança pública e parece existir apenas para satisfazer o ego e os deleites de coronéis como o deputado.









