Registros do sistema oficial de controle do TáxiGov indicam possível uso irregular do transporte institucional por dois servidores da Administração Regional do Riacho Fundo II (RA XXI): Luciana Raquel do Nascimento, gerente do órgão, e seu esposo, Marcelo Maciel de Oliveira, diretor na mesma administração.
Os dados constam na própria Tabela de Utilização do TáxiGov da RA XXI e apontam que, em 29 de dezembro de 2022, o casal solicitou duas corridas pelo aplicativo institucional.

Tabela oficial da Secretaria de Economia do DF registra a utilização do TáxiGov pela Administração Regional do Riacho Fundo II (RA XXI) no período de 2020 a 2025.
O detalhe é que, segundo a folha de frequência da época, Luciana estava formalmente em período de recesso naquela data — o que levanta dúvidas sobre a compatibilidade entre os registros funcionais e o uso de um serviço destinado exclusivamente a atividades oficiais.

Folha de frequência de Luciana Raquel — dezembro de 2022 — registra período de recesso no dia 29, mesma data em que o sistema do TáxiGov aponta corridas solicitadas no aplicativo institucional.
A primeira corrida foi registrada às 08h56, solicitada por Luciana Raquel do Nascimento. O deslocamento teve origem no Centro de Ensino Fundamental 101, no Recanto das Emas, com destino à EC 12 de Taguatinga Norte (QNH 8). No sistema, a justificativa inserida foi “reunião externa”, com chegada registrada às 09h06.
A segunda corrida ocorreu às 11h54, desta vez solicitada por Marcelo Maciel de Oliveira. O trajeto partiu da unidade do SEBRAE em Taguatinga e retornou ao CEF 101, no Recanto das Emas, fechando um deslocamento que também foi realizado por meio do aplicativo institucional.

Registros do sistema TáxiGov mostram duas corridas solicitadas em 29/12/2022 por Luciana Raquel do Nascimento e Marcelo Maciel de Oliveira, ambas classificadas como “reunião externa” e registradas como concluídas.
A coincidência de Luciana utilizar o transporte oficial em pleno fim de ano exatamente para o mesmo local de onde seu companheiro, Marcelo, horas depois solicitou outra corrida levanta suspeitas de que o deslocamento tenha servido para encontrá-lo e realizar um trajeto sem relação com atividade institucional.
O caso ganha um elemento adicional de sensibilidade porque Luciana Raquel é justamente a servidora responsável por acompanhar e fiscalizar o contrato do TáxiGov na Administração Regional. Ou seja, a mesma gestora encarregada de controlar a execução do serviço aparece como usuária em um episódio que agora suscita dúvidas sobre a regularidade do uso.
Segundo fontes ouvidas, a situação já seria de conhecimento da administradora regional, Ana Maria da Silva, mas nenhuma providência teria sido adotada até o momento para apurar os registros ou esclarecer a utilização do sistema.

Ana Maria da Silva, administradora regional do Riacho Fundo II.
Diante dos documentos oficiais do próprio sistema de transporte do governo, o episódio reacende um debate recorrente no serviço público: quem fiscaliza quando o possível uso irregular parte justamente de quem deveria fiscalizar?



