Poucos militares já ouviram falar de Licérgio Oliveira de Souza, mas ele é a pessoa que comanda o gabinete do deputado distrital Hermeto (MDB) desde o primeiro mandato. Contudo, o cargo de chefe de gabinete não parece ter lhe dado apenas influência sobre o dia a dia da política na CLDF — também abriu espaço para a construção de um patrimônio milionário.
Mas patrimônios milionários chamam atenção, especialmente quando a evolução patrimonial não se mostra compatível com a remuneração. A solução encontrada por Licérgio foi abrir, em abril de 2025, a Cumpas Holding Patrimonial LTDA, registrada com capital social de R$ 1,9 milhão.

Cumpas Holding Patrimonial LTDA, empresa aberta em abril de 2025 pelo chefe de gabinete de Hermeto, Licérgio Oliveira de Souza, já nasceu com capital social de R$ 1,9 milhão.
O valor por si só já causa estranheza: holdings costumam nascer com cifras simbólicas e só depois recebem imóveis e veículos, mas no caso de Licérgio a cifra milionária apareceu logo na largada, o que faz surgir a suspeita de que a empresa foi criada para concentrar e blindar o patrimônio.
Essa estratégia ficou evidente alguns meses depois. Em julho de 2025, Licérgio transferiu para a empresa uma Toyota Hilux SRX 2024 comprada zero quilômetro no ano anterior por R$ 307,5 mil. Avaliada em R$ 278 mil na transferência, a caminhonete ilustra como bens pessoais passaram a ser incorporados à holding.

O detalhe mais grave, porém, está na forma. Ao assumir o papel de sócio administrador da Cumpas, Licérgio cruzou a linha da legalidade: servidores públicos podem ser cotistas, mas a lei proíbe que administrem empresas privadas.

Licérgio Oliveira de Souza, chefe de gabinete do deputado Hermeto na CLDF, aparece como sócio-administrador da Cumpas Holding Patrimonial LTDA.
Na prática, o chefe de gabinete de Hermeto não apenas acumulou patrimônio expressivo, mas o fez utilizando um modelo societário que a legislação lhe veda ocupar.

Aberta como holding patrimonial, a empresa de Licérgio Oliveira de Souza declara atividades que vão da gestão e administração de imóveis à compra, venda, incorporação imobiliária e participação em outras sociedades — um leque empresarial amplo para quem ocupa o cargo de chefe de gabinete na liderança do governo na CLDF.
Resta agora uma pergunta inevitável: teria o chefe de gabinete de Hermeto alguma participação no esquema investigado hoje na Secretaria de Educação? Afinal, quando um servidor público decide abrir uma holding milionária em desacordo com a lei e passa a transferir para ela seu patrimônio pessoal, o mínimo que se espera é uma explicação clara sobre a origem e a evolução desses recursos.



