A votação que autorizou o governo Ibaneis Rocha a usar imóveis públicos para tentar conter a crise do Banco de Brasília (BRB), provocada pelas operações com o Banco Master, já começou a produzir efeitos políticos dentro da base governista.
Ontem (03/3), a Câmara Legislativa do Distrito Federal aprovou, por 14 votos a 10, o projeto que permite utilizar patrimônio público como instrumento para tentar recompor a situação financeira do banco estatal.
Durante a votação, um movimento chamou atenção dentro da própria base governista: o deputado João Cardoso (Avante) decidiu não acompanhar o governo.
A posição rompeu o alinhamento que vinha mantendo com o Palácio do Buriti e alterou o equilíbrio político que existia até então em torno de algumas administrações regionais.
Até aquele momento, as administrações de Sobradinho I e Sobradinho II estavam vinculadas politicamente ao parlamentar.
Menos de 24 horas depois da votação, o Diário Oficial do Distrito Federal trouxe a mudança.
Foram exonerados Paulo Izidoro da Silva, administrador regional de Sobradinho I, e Diego Rodrigues Rafael Matos, administrador regional de Sobradinho II.

Diário Oficial confirma a exoneração dos administradores de Sobradinho I e II e oficializa a redistribuição política das administrações após a votação sobre o socorro ao BRB.
Com a substituição, o espaço político deixou de orbitar João Cardoso e passou a ser redistribuído dentro da própria base do governo.
O deputado Pepa, que já mantinha influência sobre Planaltina e Arapoanga, passa a incorporar Sobradinho I ao seu campo político.

Deputado distrital Pepa ao lado de Eufrasio Pereira da Silva, nomeado administrador regional de Sobradinho I após as mudanças publicadas no Diário Oficial.
Já a deputada Doutora Jane Klébia, que já exercia influência sobre Paranoá e Itapoã, amplia sua presença política com Sobradinho II.
Para os cargos foram nomeados Eufrasio Pereira da Silva, em Sobradinho I, e Rafael Rodrigo da Silva, em Sobradinho II.
O episódio mostra que a votação sobre o socorro ao BRB, após as operações com o Banco Master, produziu efeitos que vão além da discussão financeira.
Em Brasília, quando um projeto bilionário divide a base do governo, o impacto costuma aparecer rapidamente na distribuição de poder — muitas vezes no dia seguinte, publicado no Diário Oficial.



