A Operação Blackboard, deflagrada nesta quinta-feira (12) pelo MPDFT para investigar suposto esquema de desvio de mais de R$ 46 milhões na Secretaria de Educação do Distrito Federal, colocou o deputado distrital Hermeto (MDB), líder do governo na CLDF, no centro de uma crise política que toca naquilo que há de mais sagrado para as famílias: o futuro e a educação de seus filhos.
Isso mesmo. O caso envolve dinheiro público destinado às escolas e aos alunos da rede pública — recursos que deveriam garantir educação, estrutura e dignidade às crianças.
Mandados de busca e apreensão foram cumpridos em endereços ligados ao parlamentar.
Dentro da tropa, o episódio abriu uma discussão inevitável: se Hermeto teve coragem de fazer isso com as criancinhas, qual seria o tamanho do rombo na PMDF?
E dentro da própria corporação não faltam episódios que alimentam essa desconfiança.
Por exemplo, o coronel Ramalho, penúltimo chefe do Departamento de Saúde e Assistência ao Pessoal (DSAP) da PMDF e indicado de Hermeto, pediu aposentadoria poucos dias após A Voz dos Praças revelar um superfaturamento de cerca de 40% na fatura de dependentes do sistema de saúde da corporação.
A situação pesa ainda mais porque Hermeto chegou à política com o voto de policiais, com a promessa de defendê-los. Mas, além de não cumprir o que prometeu, hoje seu nome aparece ligado a um esquema de corrupção que envolve R$ 46 milhões da educação — dinheiro de escola, dinheiro de criança.
Tudo isso faz surgir no coração da tropa algumas indagações inevitáveis: isso não envergonha a farda? Isso sim não seria motivo para expulsão? Quem vestiu a farda para prender bandido entrou na política para quê — para defender a sociedade ou para virar aquilo que jurou combater?



