Hermeto aparece no centro de um circuito que conecta gabinete, contabilidade e entidade ligada à PMDF. O elo não está só no dinheiro — está nas mesmas pessoas que se repetem nos dois lados.
Como já exposto pelo Metrópoles, um dos diálogos extraídos pela PCDF e usado para indiciar Hermeto por “rachadinha” envolve Licérgio Oliveira de Souza e Gilberto Rodrigues Costa Carvalho e Freire.

Gilberto não é um nome solto. É marido de Lucinélia Carvalho Freire Rodrigues, que ocupava cargo de segurança parlamentar no gabinete de Hermeto com salário de R$ 7.970,11 — e, segundo a investigação, devolvia parte da remuneração. A prática típica da rachadinha: entra salário oficial, sai repasse por fora.

Do outro lado, Licérgio: chefe de gabinete de Hermeto e ex-marido da coronel Maria Costa, atual presidente da Caixa Beneficente da Polícia Militar do DF (CABE).
É aqui que o circuito fecha.
Gilberto é hoje o contador da CABE e homem de confiança da presidente. Segundo fontes, o contrato de contabilidade da entidade, no valor de R$ 50 mil mês, teria sido intermediado por quem? Licérgio. Os mesmos que aparecem no diálogo investigado também operaram contrato milionário dentro da CABE.

E não para por aí.
Licérgio também é contador e já trabalhou na CABE. Lucinélia, esposa de Gilberto, também passou pela entidade. O que se vê não é coincidência isolada — é repetição dos mesmos nomes nos mesmos ambientes, sempre associados à gestão de valores elevados.
No fim de 2025, A Voz dos Praças já havia revelado outro ponto fora da curva: Licérgio abriu, em abril daquele ano, a Cumpas Holding Patrimonial LTDA, com capital inicial de R$ 1,9 milhão, a poucos metros da CLDF.

Agora, cruzando os dados do inquérito, surge mais um detalhe que chama atenção: a holding de Licérgio e o escritório de contabilidade de Gilberto funcionam no mesmo endereço — Edifício City Offices, no Setor de Indústria Gráfica.

No mesmo prédio. No mesmo andar. A diferença é só a sala.
E no meio disso tudo, um detalhe que não passa despercebido: “Cumpas” não é só o nome da holding. É também a forma como Licérgio se refere a Gilberto nas mensagens cobrando os repasses.

Perceberam o nome? “Cumpas”. É o nome da holding de Licérgio — o mesmo termo que ele usa ao se dirigir a Gilberto ao cobrar a rachadinha.
Quando o apelido vira empresa — e a empresa divide endereço com quem aparece na investigação — já não dá mais para chamar de coincidência.
Dá para chamar de estrutura.



