Há seis meses sem receber, caminhoneiros já não têm como abastecer nem comer
Depois do escândalo de corrupção que explodiu dentro da NOVACAP em junho, revelado pela operação do Ministério Público que mirou lavagem de dinheiro, cartel e pagamento de propina, quem foi jogado no inferno não foram os investigados — foram os caminhoneiros.
Hoje, em pleno dezembro, a realidade é desumana. São seis meses sem receber os valores devidos pela cooperativa. Caminhões parados por falta de combustível. Profissionais que venderam carro, moto e o que restava para tentar alimentar a família. Gente que não tem dinheiro sequer para ir à assembleia da própria categoria. Famílias vivendo de favor, de empréstimo, de fiado. Pais e mães de família que passam o dia ouvindo promessa e passam a noite sem saber se terão comida no dia seguinte.
A suplementação de R$ 50 milhões aprovada na CLDF, anunciada como solução emergencial, não resolveu nada. Não cobre o tamanho da dívida, não garante normalização e não traz segurança para ninguém. O máximo prometido — um único pagamento antes do fim do exercício — é praticamente uma esmola diante da tragédia que a própria estrutura pública gerou. E mesmo essa promessa chega cheia de “talvez”, “se der”, “se liberar”, “se entrar”.
Nos grupos de caminhoneiros, o desespero virou rotina. Relatos de gente que já está sem gás, sem comida, sem luz. Gente que entregou caminhão. Gente que não tem mais condições de trabalhar. Não é greve, não é paralisação política — é colapso por fome, por ausência total de condições mínimas de sobrevivência. O Estado que explodiu o escândalo não oferece nenhuma resposta ao trabalhador que carrega as consequências do mesmo escândalo.
E enquanto isso, o tempo passa. É dezembro, o ano acaba, e o caminhoneiro nem sabe se consegue terminar a semana. No fim, a equação é simples: a NOVACAP lavou dinheiro.
O caminhoneiro não quer lavar as mãos — mas não tem mais o que fazer. Quem deveria pagar a conta simplesmente não paga.









