A nomeação do novo articulador da comunicação da Governadoria expôs uma forte contradição ideológica no Palácio do Buriti e abriu uma crise nos bastidores da capital. Conhecida por levantar a bandeira do conservadorismo e do bolsonarismo, a governadora Celina Leão decidiu entregar uma das funções mais estratégicas de sua gestão a Paulo Fona, jornalista com histórico de militância e um dos fundadores do PT nacional e local.
O nome de Fona já foi rejeitado pela direita em 2019, quando durou apenas seis dias na Secretaria de Imprensa da Presidência da República. Na ocasião, o jornalista foi exonerado de forma sumária assim que Jair Bolsonaro tomou conhecimento de sua linha comunista.
No Distrito Federal, a nomeação reativa o alerta na imprensa local. Conforme reportagem de 2018 do jornalista Josiel Ferreira, o novo articulador teria usado a máquina pública (na época de Rollemberg) para montar uma central de “fake news” e atacar blogueiros e jornalistas de política do DF que incomodavam o governo.

O Palácio do Buriti carimba essa mudança no período mais turbulento da atual gestão. O governo tenta conter, ao mesmo tempo, os desgastes financeiros do BRB, o racha político com a base de Ibaneis Rocha, articulações complexas nos bastidores do STF e as recentes denúncias que acusam a Secretaria de Comunicação de financiar “milícias digitais” em um esquema montado especificamente para difamar e destruir a reputação de críticos à Celina.
Diante do isolamento e das crises, a governadora buscava um operador experiente, com trânsito livre nas redações e influência nos bastidores para tentar blindar o governo e melhorar a interlocução com as mídias — seja domesticando pela oferta de vultosos patrocínios ou asfixiando os independentes através de campanhas de descredibilização promovidas pelo “Gabinete do Ódio”.
No entanto, o único efeito que a estratégia produziu até o momento foi gerar a unânime leitura: se a comunicação é a alma de um governo, Celina acaba de assumir que é de esquerda.









