O que aconteceu no último sábado (20/6) na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Recanto das Emas ultrapassa a barreira da incompetência administrativa e toca a crueldade. Não é apenas uma falha no sistema, mas sim o colapso absoluto da dignidade humana na saúde pública do Distrito Federal, governada por Celina Leão.
Vilmar Pereira da Silva, de 49 anos, perdeu a vida sentado em uma cadeira de rodas na recepção do local após esperar por quatro horas sem que ninguém abrisse uma ficha, fizesse uma triagem ou sequer olhasse nos seus olhos para avaliar o seu estado de saúde.
Vilmar não morreu recebendo socorro, mas sim esperando por ele na antessala do descaso absoluto. Segundo denúncias, a negligência foi tamanha que o óbito só foi percebido por uma pessoa que aguardava na recepção. A resposta inicial de profissionais, à distância, teria sido o desdém.
A indignação da população presente foi o que garantiu o mínimo de respeito à memória de Vilmar. Revoltados com a cena, os pacientes e acompanhantes impediram que o corpo fosse recolhido às pressas para o interior da unidade, uma manobra que muitos interpretaram como uma tentativa de limpar a recepção e abafar a gravidade do fato. A Polícia Militar e a Polícia Civil foram acionadas para isolar o local e garantir a realização da perícia técnica na própria recepção.
O sangue de Vilmar Pereira da Silva está nas mãos de uma gestão que transformou a saúde pública do Distrito Federal em uma roleta-russa. Enquanto Celina Leão assiste ao colapso de camarote, o povo candango é condenado a morrer em cadeiras de rodas, sem direito ao básico. A 27ª DP e o Ministério Público que investiguem a fundo, porque o que aconteceu no Recanto das Emas não foi uma fatalidade: foi um assassinato institucional provocado pelo descaso.









