Um contrato milionário de alimentação hospitalar no Distrito Federal passou a chamar atenção por um motivo que vai muito além das cifras: a estreita e suspeita relação de bastidores entre quem deveria fiscalizar o dinheiro público e quem recebe a bolada.
O centro do escândalo envolve o gerente administrativo do Hospital Regional de Santa Maria (HRSM), Helber Carvalho de Souza. “Maninho”, como é conhecido no meio, é o responsável por gerir o Contrato nº 1.025/2024, de R$ 86,9 milhões, firmado entre o Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do DF (IGES-DF) e a empresa Máxima Facility e Soluções Ltda.

Parecer nº 122/2026 – G2P no Processo nº 00600-00016003/2025-53-e TCDF.
“Maninho”, ao invés de fiscalizar a qualidade da comida servida a pacientes e servidores nos corredores do hospital — que é alvo constante de queixas —, foi flagrado executando uma função bem diferente: usufruindo, juntamente de sua família, de acessos VIPs e trânsito livre no camarote da Máxima Facility no Estádio Nacional Mané Garrincha durante o show da dupla Jorge & Mateus, tendo inclusive recebido cinco credenciais em um envelope com a dedicatória “Amigo Maninho”.

Helber Carvalho de Souza, o “Maninho”, gerente administrativo do HRSM, usufruindo de tratamento VIP com sua família no camarote nº 269 da Máxima Facility no Estádio Mané Garrincha.
Os registros escancaram uma relação de compadrio que vai na contramão da transparência exigida para um contrato dessa magnitude. A intimidade festiva entre o fiscal do contrato e os donos de um negócio de mais de 87 milhões de reais coloca em xeque a imparcialidade da gestão e pode configurar enriquecimento ilícito.
O caso agora está sob a mira dos órgãos de fiscalização do Distrito Federal, que cobram explicações imediatas do IGES-DF e da direção do hospital.

Decisão nº 922/2026 do TCDF, datada de 08 de abril de 2026.









