Enquanto o povo candango sofre diariamente com a falta de policiamento nas cidades satélites e praças da PMDF padecem com escalas exaustivas, efetivo reduzido e abandono estrutural, oficiais da corporação vêm usando o BOPE — a tropa de elite — para garantir a tranquilidade e os interesses de multinacionais do transporte de valores.
Relatos enviados ao “A Voz dos Praças” apontam que o emprego do BOPE nesse tipo de atuação se tornou uma prática antiga e naturalizada dentro da unidade. A tropa, criada para operações críticas e combate de alto risco, estaria sendo deslocada para aeroportos, áreas empresariais e regiões próximas a empresas privadas apenas para “marcar presença” com viaturas e armamento pesado.
As informações indicam que equipes chegam a sair do batalhão durante madrugadas somente para circular nas proximidades de empresas, passando em frente aos postos de vigilância para demonstrar que “a caveira está ali”.
O nome apontado por policiais como responsável por manter esse cordão umbilical entre o BOPE e o empresariado é o do major Maurício Herbert Silva Rodrigues que, mesmo não estando mais lotado na unidade, continuaria influenciando escalas e acionamentos para atender esse tipo de “missão”.

Um e-mail obtido pela reportagem reforça as denúncias. Na mensagem, um funcionário da Brink’s Brasil aciona diretamente integrantes do batalhão para uma operação no Aeroporto de Brasília. O major Maurício Herbert aparece citado nominalmente no contato.

Major Maurício Herbert Silva Rodrigues.
A cúpula da corporação faz média com o empresariado, o praça é rebaixado a vigia de luxo no asfalto e o Comando-Geral agora terá dificuldade para fingir surpresa — afinal, Palhares é caveira e dentro do BOPE “todo mundo sabe” como esse jogo funciona.
O outro lado
Até o fechamento desta edição, a PMDF não se manifestou sobre os questionamentos encaminhados pela reportagem. O espaço permanece aberto para manifestações e esclarecimentos oficiais.









