A mensagem que o Governo do Distrito Federal (GDF) envia à categoria e à sociedade toda vez que nomeia um delegado de polícia para comandar a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (SEAPE) é clara, embora velada: a de que a Polícia Penal do DF não seria capaz de gerir a própria instituição.
Na linha de frente de uma das engrenagens mais complexas e perigosas da segurança pública, os policiais penais do DF são os responsáveis diretos por custodiar milhares de internos, sufocar a expansão de facções criminosas, impedir fugas, conter rebeliões e realizar escoltas de alto risco. Se a categoria tem competência técnica e operacional para garantir a estabilidade do sistema prisional no dia a dia, carece de lógica a premissa de que não possui quadros qualificados para a gestão política e administrativa da pasta.
Essa insistência em buscar comandos externos cria uma espécie de tutela permanente sobre a corporação. É um contraste evidente com o que ocorre em outras forças de segurança. Seria inimaginável, por exemplo, ver a Polícia Civil comandada por um coronel da Polícia Militar, ou o Corpo de Bombeiros entregue a um delegado. Em qualquer um desses cenários, o argumento técnico seria imediato: cada instituição deve ser liderada por quem cresceu na carreira e conhece a realidade interna da tropa. No entanto, quando se trata da Polícia Penal, essa lógica de valorização institucional é convenientemente ignorada pelo Palácio do Buriti.
Quem de fato conhece as deficiências estruturais das alas, o déficit real de efetivo, os gargalos operacionais e a rotina dentro dos presídios é o policial de carreira que vivencia o sistema. A manutenção de uma chefia alheia à rotina prisional sinaliza que, para o governo, a Polícia Penal ainda é vista apenas como força de execução, e não como protagonista da própria história.
O questionamento que fica entre os policiais penais não é sobre nomes ou indicações políticas específicas, mas sobre o reconhecimento da capacidade da própria categoria. O GDF realmente sustenta a tese de que, entre centenas de profissionais formados, pós-graduados e experientes da Polícia Penal do Distrito Federal, não há um único nome à altura de dirigir a SEAPE? Se a resposta for não, os critérios de escolha precisam ser revistos urgentemente em nome da eficiência e do respeito à categoria.









