Por trás dos discursos de valorização da segurança pública, o governo do Distrito Federal esconde um rastro de descaso burocrático e lentidão inexplicável que coloca em risco a convocação do CFP 13 da Polícia Militar.
O relógio corre contra o tempo, e o que separa centenas de aprovados no concurso da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) de sua sonhada convocação não é a falta de mérito, mas sim as engrenagens travadas de uma gestão que transformou a eficiência administrativa em um artigo de luxo. Após três anos de uma espera que já rompeu a barreira do razoável, os candidatos da 13ª turma enfrentam o pior rosto da burocracia do Palácio do Buriti sob o comando de Celina Leão: o descaso mascarado de tecnicalidade.
O epicentro da crise atual é a alteração da Lei Orçamentária Anual (LOA), indispensável para viabilizar o ingresso dos novos policiais. A solicitação formal para que o Projeto de Lei do Congresso Nacional (PLN) fosse encaminhado foi feita ainda em fevereiro. Durante meses, o processo recolheu poeira digital nas gavetas do governo. O silêncio absoluto só foi quebrado na segunda quinzena de maio, quando o aumento da pressão pública, reuniões e a mobilização dos próprios candidatos forçaram as primeiras movimentações concretas. Uma evidência clara de que, na atual gestão, o direito e a segurança pública só andam à base de empurrões.
O jogo de empurra e a contradição política
O ápice da indignação ocorreu no último dia 28 de maio. Em vídeo divulgado nas redes sociais, o deputado distrital Hermeto, governista de carteirinha, jogou um balde de água fria nos candidatos ao afirmar que o envio do PLN ainda demandaria “uma ou duas semanas”.
A declaração, contudo, esbarra na dura realidade dos fatos registrados nos sistemas oficiais. Candidatos que acompanham a tramitação interna desmascaram a narrativa da lentidão justificada: a Secretaria de Economia já cumpriu suas etapas. O verdadeiro gargalo, segundo os documentos do próprio processo, está na falta de posicionamento e na morosidade interna de setores da própria PMDF — uma instituição diretamente subordinada à governadora Celina Leão.
Enquanto o prazo final para o ajuste orçamentário se aproxima perigosamente da linha vermelha, a pergunta que ecoa nos corredores do poder é: o que justifica reter por mais duas semanas um processo cujas providências técnicas já estão praticamente concluídas?
Vidas em suspenso: o custo humano da incompetência
Dizer que o processo é lento é reduzir o impacto humano a termos técnicos. O que a gestão do GDF promove é uma tortura psicológica institucionalizada. Há 36 meses, pais e mães de família reorganizaram suas vidas, abriram mão de empregos estáveis, adiaram casamentos, contraíram dívidas e congelaram projetos pessoais sob a promessa de uma convocação que é sistematicamente empurrada com a barriga.
Em troca do sacrifício e do esforço desses cidadãos, o governo, agora controlado por Celina Leão, entrega silêncio, prazos estourados e um amadorismo que coloca em risco real todo o certame. Perder o prazo orçamentário por pura incapacidade de assinar documentos a tempo seria mais do que um erro administrativo; seria um crime contra a segurança pública do DF.
Segurança pública tratada como improviso
A ironia é gritante: enquanto as autoridades vão à televisão lamentar o déficit operacional da Polícia Militar e debater a necessidade urgente de reforço no policiamento das ruas de Brasília, a mesma caneta que deveria acelerar a solução prefere a inércia.
Segurança pública não aceita improviso, morosidade ou indiferença. Tratar o ingresso da 13ª turma com esse nível de desdém é uma afronta não apenas aos concursados, mas a toda a população do Distrito Federal, refém de um efetivo policial cada vez mais defasado. O tempo está correndo, as desculpas esgotaram e a sociedade exige saber: de quem é o interesse em boicotar a segurança do DF? E, se esse interesse partir de Celina Leão, estaria a governadora querendo condicionar futuras nomeações ao êxito eleitoral de sua campanha à reeleição?









