No Distrito Federal, o que aparentava ser a atuação firme de um sindicato em defesa da categoria revelou-se, na verdade, uma ostensiva manobra de Marli Rodrigues, que converteu o SindSaúde em porrete de chantagem para obtenção de cargos no GDF, deixando servidores e população em segundo plano.
O primeiro sinal dessa engenharia política rasteira foi observado em maio de 2026. Logo após a categoria de Gestão e Assistência Pública à Saúde (GAPS) sofrer um calote no reajuste salarial da carreira, Marli foi ao público bradar que o “troco viria nas urnas”.

Matéria realizada pelo SindSaúde em 6 de abril de 2026, 29 (vinte e nove) dias antes da nomeação de Marli Rodrigues para cargo de Assessora Especial da governadora Celina Leão
O discurso inflamado, contudo, revelou-se puro oportunismo pessoal, pois bastou a oferta do cargo de Assessora Especial da governadora Celina Leão, com salário de mais de R$ 11 mil, para que ela se licenciasse da presidência do sindicato e deixasse a categoria à deriva.

Diário Oficial do Distrito Federal, Decretos de 5 de maio de 2026
Já acomodada no Palácio do Buriti, a estratégia mudou para a fase da destruição de inimigos e acomodação de aliados. As redes e toda a estrutura de comunicação do SindSaúde, que deveriam permanecer voltadas à cobrança do governo pelas perdas da categoria, foram novamente sequestradas por Marli.

Matéria realizada pelo SindSaúde em 22 de junho de 2026, 4 (quatro) dias antes da nomeação de Gabriel Pimentel da Silva para a Superintendência da Região Sul
Dessa vez, a entidade aproveitou-se da tragédia envolvendo Vilmar Pereira da Silva para manter o GDF sob intenso desgaste público, movimento que, curiosamente, teve fim após o então superintendente da Região Sul, Dr. Willy Pereira da Silva Filho, indicado ao cargo pelo deputado federal governista Júlio César (Republicanos), ser substituído por Gabriel Pimentel da Silva, apontado por servidores da Secretaria de Saúde como apadrinhado da dirigente sindical.

Diário Oficial do Distrito Federal, Decretos de 26 de junho de 2026
Com o comando da máquina sindical, apesar de formalmente licenciada, Marli Rodrigues parece ter transformado o direito de defesa dos servidores no negócio mais lucrativo do Distrito Federal.
E quando uma entidade criada para representar servidores passa a ser percebida como balcão de negócios para ampliação do poder político de sua principal dirigente, não é só a categoria que perde. Perde a sociedade como um todo. Ao presenciar quem deveria cobrar o governo se tornar sócio dele, a população continua convivendo com uma saúde pública entregue à própria sorte e marcada por mortes na fila de espera.









