Enquanto o Distrito Federal ainda tenta entender como Vilmar Pereira da Silva morreu após permanecer horas sem que qualquer atendimento lhe fosse prestado na UPA do Recanto das Emas, chega ao conhecimento do A Voz dos Praças que outro caso igualmente brutal de omissão já havia ocorrido no Hospital Regional de Sobradinho (HRS).
Conforme registrado na Ocorrência Nº 2.873/2026-1 da 13ª DP, uma gestante de alto risco deu entrada na unidade no dia 18 de junho após notar que o feto não se movimentava. No entanto, embora a equipe médica soubesse do risco e da necessidade de uma ecografia de emergência, deixaram a mãe internada por quase 24 horas sem que qualquer procedimento fosse realizado, fazendo com que a bebê fosse esquecida na barriga da mãe enquanto seus sinais vitais se esgotavam.

Somente às 16h do dia 19 de junho, após a insistência da família, a gestante foi levada para monitorar os batimentos cardíacos, que ainda estavam presentes. Às 18h25, o médico de plantão constatou o enfraquecimento severo do coração do feto, mas, ao invés de tomar alguma ação imediata, mandou a mãe jantar. Uma cesariana de urgência só foi realizada às 19h porque houve troca de plantão, mas o quadro já era irreversível; a recém-nascida não resistiu às manobras de reanimação e o óbito foi decretado por pura lentidão do Estado.
O horror não parou no parto e transformou-se em um cruel “jogo de empurra” institucional para a entrega do corpo. De acordo com a ocorrência policial, os funcionários do setor de anatomia do HRS criaram barreiras evasivas que impediram a família de retirar o cadáver por dias. A dignidade para o sepultamento só foi alcançada após os parentes acionarem formalmente a Polícia Civil e o IML para intervir na negligência do hospital, escancando a falha completa e a falta de humanidade do sistema de saúde do DF.









