Visita misteriosa de integrantes do Judiciário
Ibaneis Rocha sob máxima tensão
Uma visita inesperada de integrantes do Judiciário à casa do governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, ocorrida hoje à tarde no Lago Sul, deixou o chefe do Executivo sob máxima tensão.
Segundo relatos recebidos pela reportagem, os “visitantes” chegaram sem qualquer aviso prévio, afirma ram que precisavam tratar de um “assunto importante”, mas não foram recebidos pelo governador, que estava em casa e se preparava para um compromisso religioso.
O cenário, que já era grave após a revelação do depoimento prestado por Daniel Vorcaro à Polícia Federal, em 30 de dezembro de 2025, e da informação de que a Procuradoria-Geral da República preparava minuta de prisão de Ibaneis Rocha no caso BRB-Master, parece ter entrado em um estágio ainda mais delicado após a movimentação repentina registrada hoje.
Resta agora saber qual seria o “assunto importante” que Ibaneis Rocha se recusou a ouvir.
“Entrou mudo e saiu calado”
Embora Ibaneis Rocha sustente que “entrou mudo e saiu calado” nos encontros com Daniel Vorcaro — realizados, inclusive, em jantares nas casas de ambos —, essa versão encontra dificuldades para se sustentar. Isso porque o depoimento do ex-presidente do Banco Master é corroborado pelos relatos já prestados por Paulo Henrique Costa, então presidente do BRB à época das negociações, que afirmou à Polícia Federal que Ibaneis teve participação direta nas decisões relacionadas à operação.

BRB: Ibaneis Rocha e Paulo Henrique Costa, presidente do BRB à época das negociações.
A confiança de Ibaneis: Juliana Monici e o controle das tratativas no caso BRB-Master

BRB: Ibaneis Rocha e Juliana Monici, chefe de gabinete do governador e membro do Conselho Fiscal do banco no período das negociações.
Pessoa de confiança e de estreita proximidade do governador, Juliana Monici, chefe de gabinete de Ibaneis Rocha, teria exercido papel central na interlocução com Daniel Vorcaro durante o período das tratativas, segundo relatos colhidos pela reportagem.
“Bastaria a quebra do sigilo dos telefones e ramais institucionais de Juliana Monici para identificar sua participação nas tratativas”, disse uma das fontes.
Esse protagonismo teria sido o principal fator para sua indicação ao Conselho Fiscal do BRB, com a finalidade de acompanhar de perto e fiscalizar se as decisões relaciona das à operação seriam conduzidas conforme os interesses de Ibaneis Rocha naquele momento.

Os mesmos relatos indicam ainda que Juliana extrapolaria a função formal de chefe de gabinete e teria recebido do governador benefícios relevantes, entre eles um veículo Volvo XC60 zero quilômetro, avalia do atualmente em cerca de R$ 353 mil; auxílio financeiro para a entrada do imóvel onde reside — uma cober tura de três quartos, de alto padrão, localizada no Setor Noroeste, bairro mais valorizado de Brasília —; além da prerrogativa de indicar parentes para cargos públicos.









