O discurso oficial do GDF de que a saúde pública está sob controle cai por terra da forma mais cruel e desumana possível nos corredores da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Recanto das Emas.
Doutores da Agonia?
Desde ontem, Lorrany Nunes, uma jovem de 27 anos com microcefalia e total dependência de cuidados, está sendo vítima de um massacre administrativo que coloca sua vida em risco iminente, diante do silêncio cúmplice dos gestores da saúde.
O calvário da família começou ainda em casa, por volta de meio-dia de ontem (14/5), quando Lorrany perdeu os sentidos e ficou desacordada. O pedido de socorro ao SAMU foi ignorado, obrigando os familiares a transportarem a jovem desfalecida por meios próprios, em completo desespero.
Pesquisa Macabra?
Na chegada à UPA, a prioridade absoluta garantida pelo Estatuto da Pessoa com Deficiência virou piada: para conseguir atendimento, a família precisou travar uma batalha para impedir que Lorrany fosse jogada de qualquer jeito em uma maca no corredor da unidade superlotada.
A situação clínica, que já era grave, transformou-se em tortura; no retrato brutal da falência da rede pública. A médica plantonista solicitou com urgência exames de tomografia da cabeça e do abdômen, autorizados para realização no Hospital Regional de Santa Maria. O problema é que, até as 21h30 de hoje (15/5), a ambulância necessária para o transporte simplesmente ainda não apareceu. Enquanto o veículo não chega, Lorrany cumpre um jejum forçado insustentável: já se passaram mais de 30 horas em “dieta zero”.
Experimento Nazi?
Para piorar o quadro de negligência, o soro de hidratação secou há horas e, mesmo com os apelos desesperados da família, a equipe falhou em repor o suporte básico, deixando uma pessoa com necessidades especiais desidratada e sem alimentação.

Crime do Estado
Apesar de a governadora Celina Leão e a cúpula da Secretaria de Saúde sustentam uma narrativa de normalidade na mídia, a realidade nos hospitais é de barbárie. Se a equipe de enfermagem na ponta tenta amenizar o sofrimento com o que tem, o colapso logístico do GDF pune os cidadãos mais vulneráveis do povo candango.
Reter uma ambulância e deixar uma jovem com paralisia cerebral passar fome e sede em uma UPA indigna não é apenas ineficiência; é crime de negligência médica e omissão de socorro, e os responsáveis precisam ser punidos imediatamente antes que o pior aconteça.









