Um aluno de apenas 10 anos foi brutalmente espancado por um grupo com mais de dez colegas do 5º ano dentro do Colégio Militar Dom Pedro II, do CBMDF, localizado na Asa Sul, na tarde de ontem (28/4), em um episódio que expõe uma falha grave de controle e supervisão dentro da instituição.
A agressão ocorreu durante o momento conhecido como “acolhida”, quando os estudantes chegam e permanecem na quadra aguardando o encaminhamento para as salas de aula, um período que deveria ser organizado e monitorado, mas que acabou se transformando em cenário de violência coletiva.

A criança agredida relatou que caminhava para buscar uma bola quando foi surpreendido pelo grupo, sem qualquer discussão prévia ou chance de reação, sendo imediatamente atacado com tapas, socos, chutes e joelhadas. Durante o espancamento, ainda houve tentativa de enforcamento e até de roubo, o que eleva o nível da ocorrência para além de qualquer classificação como desentendimento entre alunos e a coloca como um ataque coordenado contra uma única criança.
O que mais chama atenção, porém, não é apenas a violência em si, mas a resposta — ou a ausência dela — após o ocorrido. Mesmo diante da gravidade, a vítima não foi levada ao médico, não houve acionamento de viaturas e, até o momento, não há indicação de aplicação de medidas disciplinares como suspensão ou expulsão dos envolvidos, o que reforça a percepção de que o caso está sendo tratado com uma naturalização incompatível com o nível da agressão.
Quando um grupo com mais de dez alunos se sente à vontade para cercar e espancar uma criança de 10 anos dentro de uma escola militar, o problema deixa de ser individual e passa a refletir um ambiente que falhou em garantir segurança e controle (art. 13, § 2º, do Código Penal). Sem apuração rigorosa e responsabilização efetiva, o risco é a repetição de episódios semelhantes.
E quando não há consequência clara, o risco deixa de ser apenas o que já aconteceu e passa a ser o que ainda pode acontecer, diante de um cenário em que a violência não encontra resposta proporcional.
O caso agora exige esclarecimentos objetivos: como a agressão ocorreu, onde estava a supervisão no momento dos fatos e quais medidas serão adotadas diante da gravidade do ocorrido.
A pergunta que fica ao tenente-coronel Carlos Henrique dos Santos, comandante do Colégio Militar Dom Pedro II (CMDP II), é simples: como um aluno de 10 anos sai de um ambiente educacional direto para um registro de lesão corporal na delegacia?









