Em pleno horário de expediente, oficiais superiores do Corpo de Bombeiros trocaram o quartel pela residência do deputado distrital Roosevelt Vilela, no Park Way, nesta terça-feira (28). O motivo da reunião passou longe das pautas institucionais da corporação: o encontro serviu para tratar de interesses estritamente eleitorais e da "crise de votos" do parlamentar.

O encontro teve início às 10h e só terminou por volta das 15h. Entre o almoço e algumas rodadas de cerveja, o clima de descontração foi o cenário para que o deputado confidenciasse suas preocupações com as urnas.
- Dificuldade partidária: admitiu que dificilmente o PL repetirá o feito de 2022, quando elegeu quatro distritais;
- Cálculo eleitoral: para garantir a reeleição pelo partido, ele calcula precisar de cerca de 28 mil votos;
- Déficit de apoio: confessou que, hoje, não chegaria aos 20 mil votos;
- Arrependimento político: reconheceu que a escolha de permanecer no PL não foi a mais estratégica, já que pesquisas internas o colocam entre a 6ª e a 7ª posição dentro da legenda.
O desespero do parlamentar é fundamentado em dados. De acordo com fontes internas do PL, se a eleição fosse hoje, a ordem de classificação dos candidatos do partido deixaria Vilela fora da CLDF:
- Thiago Manzoni: atual distrital e voz forte da direita;
- Carlos Eduardo: irmão da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro;
- André Kubitschek: filho de Paulo Octávio, que conta com um articulado acordo entre Bia Kicis e o pai para viabilizar sua eleição;
- Joaquim Roriz Neto: herdeiro político do sobrenome mais tradicional do DF;
- João Cardoso: atual distrital com base sólida;
- Evandro Araujo: assessor de confiança de Bia Kicis e aposta da parlamentar.
- Roosevelt Vilela: atualmente na sétima posição.
O distrital cobrou que os coronéis abandonem a inércia e entrem em campo como cabos eleitorais para salvar o seu mandato, sob o argumento de que, caso contrário, estes ficarão sem representante na CLDF.

Demonstrou apreensão com o fato de o nome de Cabo Vitório ter entrado nos quarteis, questionando, a oficiais bem próximos, sobre a possibilidade de restringir a internet nas unidades.
Demonstrou ainda apreensão com o fato de o nome de Cabo Vitório ter entrado nos quartéis, chegando a questionar a dois oficiais próximos sobre a possibilidade de restringir o acesso à internet nas unidades militares.
Em dia de vetos importantes para os militares, o assunto não foi o que fazer para derrubá-los, mas estritamente a sobrevivência eleitoral do deputado.
E o que veio depois levanta um problema ainda mais grave: relatos recebidos apontam que militares que participaram do encontro retornaram aos quartéis por volta das 15h com sinais visíveis de embriaguez. O caso não teria sido isolado, sendo percebido em mais de uma unidade. Tudo isso em dia útil e em horário de serviço.
A pergunta que fica é simples: qual seria a consequência se um praça chegasse atrasado ou sob suspeita de embriaguez ao quartel em horário de expediente?
No fim, o que se vê é um cenário conhecido, a do uso da estrutura, da hierarquia e da influência para tentar salvar um mandato em risco.









