Na PMDF de “Dieguinho da Aproximação”, a palavra de um criminoso vale mais que o trabalho de uma guarnição. Em 2020, o então capitão — hoje Major — Diego usou as falas de um delinquente e a simples proximidade de 12 km entre batalhões como “prova” para pedir busca e apreensão na casa de policiais do GTOP. O pior? O pedido foi aceito — e o inquérito segue aberto até hoje.
Depois de ter sido flagrado em 2020 tentando instalar uma escuta clandestina nas viaturas do GTOP do 4º BPM, o então capitão — hoje Major — Diego, da Corregedoria da PMDF, não recuou. Apenas trocou de tática.
Documentos daquele mesmo período, obtidos pela reportagem, mostram que ele passou a fabricar investigações a partir de relatórios internos sem qualquer base real. Na ânsia de perseguir policiais que mais produziam, chegou ao cúmulo de usar a simples proximidade entre o 4º e o 15º BPM (distantes apenas 12 quilômetros) como argumento para justificar cautelares contra militares — um delírio travestido de investigação.
O relatório, datado de agosto de 2020, é uma aula de improviso e falta de técnica. No texto, tenta-se justificar a medida alegando que “três viaturas do GTOP” teriam participado de uma suposta ocorrência de tortura. Daí nasce a conclusão surreal: uma delas seria “provavelmente” do 15º BPM, já que o batalhão é vizinho do 4º.

Na PMDF de Diego, até a fala desconexa de um criminoso serve como combustível para cautelares contra policiais. Foi assim que, a partir de um depoimento sem prova, sem descrição física e sem autoria, um capitão transformou o “ouvi dizer” de um traficante em justificativa para interceptar, investigar e manchar o nome de quem mais prendia ladrão.
E só isso. Nenhuma prova, nenhum flagrante, nenhuma denúncia concreta — apenas um chute institucional, sustentado por suposições e pelas palavras da “vítima” (um criminoso com várias passagens pela polícia).

Sem certeza de nada, mas com vontade de fabricar cautelares, o relatório de Dieguinho transforma até “ouvi dizer” em prova. Mesmo percebendo a mentira do criminoso que se dizia vítima, o então capitão Diego seguiu em frente — ignorou a falta de autoria e, a qualquer custo, forjou um nome, um batalhão e uma culpa onde não havia nada.
Em qualquer manual de investigação séria, o argumento seria motivo de piada. Mas, na PMDF de “Dieguinho da Aproximação”, virou pretexto para pedidos, como interceptação telefônica, contra guarnições de resultado — justamente as que mais prendiam e apreendiam na região.

Com base no depoimento sem sentido de um criminoso — que afirmava ter sido “torturado” por policiais e depois recebido em casa a visita de uma PM para devolver um casaco — o então capitão Diego, da Corregedoria da PMDF, solicitou cautelares contra uma policial. Sem autoria, sem qualquer descrição física e sem prova: apenas delírio travestido de investigação.
O pior é que o pedido foi aceito. Mesmo sem indício, sem prova e sem crime definido, a Justiça Militar chancelou o absurdo. A vida de policiais foram vasculhadas como se abrigassem quadrilhas, e a “tese da proximidade” — nascida de um relatório confuso e baseado em suposições — virou mandado judicial. Foi o triunfo da farsa sobre a lógica.
Cinco anos depois, o inquérito continua aberto. Nenhuma conclusão, nenhuma denúncia, nenhuma prova nova. Apenas o mesmo processo arrastado, usado como ferramenta de intimidação. Um caso que mostra como, na PMDF de hoje, quem combate o crime é tratado como criminoso — e quem fabrica acusações, como autoridade.









