Um dia após o A Voz dos Praças revelar documentos que apontavam para uma controversa movimentação de bombeiros militares da “Papudinha” para a Papuda — colocando militares sem condenação definitiva em ambiente compartilhado com presos de alta periculosidade, como Élcio Queiroz, condenado pelo assassinato da vereadora Marielle Franco — a previsão mais sombria acabou se concretizando: o segundo-sargento reformado Durval Cardoso Brandão, de 65 anos, morreu dentro da unidade.
O militar havia sido levado para a unidade prisional na sexta-feira (9/5). Menos de 24 horas depois, foi encontrado sem vida nas dependências do Centro de Internamento e Reeducação (CIR), antes mesmo de passar pela audiência de custódia marcada para as 14h de sábado (10/5). Informações recebidas pela reportagem apontam que servidores chegaram a acionar ambulância e equipes médicas tentaram reanimá-lo, mas o bombeiro não resistiu.
Na denúncia publicada pela reportagem, documentos do processo nº 0412741-19.2025.8.07.0015 mostravam que o comando do batalhão sustentava perante a Vara de Execuções Penais do DF que as obras afetariam a capacidade operacional da custódia militar.
O problema é que, paralelamente ao esvaziamento das celas ocupadas por bombeiros militares, a unidade permanecia apta para receber os coronéis da PMDF condenados por omissão nos atos de 8 de janeiro.
A morte de Durval Cardoso Brandão retira qualquer máscara de “ajuste técnico” da reforma no NCPM e coloca o Comando do CBMDF e a Secretaria de Segurança Pública diante de um corpo.
O silêncio das autoridades agora será confrontado com uma pergunta que a tropa não deixará morrer: quem autorizou que um sargento de 65 anos fosse sacrificado enquanto as vagas da elite permaneciam intocadas?









