Sob o comando de Celina Leão (PP), o Buriti passou a viver a “República da Tesoura”: um governo onde cortar gastos virou espetáculo político e a paralisia administrativa passou a ser vendida como virtude de gestão. No centro da encenação está o novo Secretário de Economia, Valdivino José de Oliveira, escalado pela governadora para representar o papel de “técnico incorruptível” que desafia o sistema para salvar as contas públicas.
Logo nos primeiros dias no cargo, Valdivino colocou uma tesoura sobre a mesa e transformou o objeto em símbolo oficial da nova gestão econômica.

A imagem passou a circular como troféu de “responsabilidade fiscal”, enquanto decretos de hipercentralização começaram a travar secretarias, sufocar pagamentos e impor à máquina pública um ambiente de paralisia administrativa vendido cinicamente como eficiência.
A cena beira o deboche institucional porque o homem escolhido por Celina para representar a “moralização” das finanças públicas foi condenado no passado justamente por irregularidades envolvendo dinheiro público.
Em 2010, na Ação Civil Pública nº 2005011123413-6, Valdivino foi condenado por improbidade administrativa após conceder ilegalmente R$ 4 milhões em benefícios fiscais à empresa Só Frango, o que resultou na suspensão dos direitos políticos por 5 anos e multa superior a R$ 441 mil.
No mesmo ano, na Ação Penal nº 2007011025129-9, também foi condenado a 4 anos e 10 meses de reclusão pelo crime de ordenação irregular de despesa após uma transferência de R$ 8.840.792,03 da Secretaria de Fazenda para a Codeplan, operação apontada nos autos como simulada, uma vez que os recursos nunca chegaram ao destino.
Valdivino ainda tentou driblar a Justiça distrital: assumindo o mandato de deputado federal como suplente apenas dois dias antes de seu julgamento, buscando desesperadamente deslocar o caso ao STF sob argumento de foro por prerrogativa de função, manobra rejeitada pela corte, que validou o julgamento no TJDFT.

Enquanto hospitais, contratos, secretarias e serviços públicos enfrentam o estrangulamento provocado pela nova política econômica do Buriti, a tesoura cenográfica de Valdivino deixa de parecer símbolo de austeridade e passa a funcionar como retrato perfeito do cinismo político instalado por Celina Leão: a máquina pública sendo paralisada em nome da “moralidade” por um secretário condenado justamente por atacar a integridade do dinheiro público.









