A promessa de erguer um complexo educacional de excelência para a segurança pública do Distrito Federal naufragou em um canteiro de obras fantasma. No Setor Policial Sul, o projeto do novo Centro de Formação e Aperfeiçoamento de Praças (CEFAP) do Corpo de Bombeiros Militar (CBMDF), que deveria abrigar uma estrutura moderna de dois pavimentos e 28 salas de aula, transformou-se em um monumento ao desperdício de recursos.
Os bastidores burocráticos do empreendimento revelam que a paralisia não decorre de falta de planejamento financeiro, mas de falha severa na gestão e fiscalização contratual. O processo administrativo nº 00053-00022424/2020-16 resultou na licitação por Regime Diferenciado de Contratações (RDC), publicada no Diário Oficial em abril de 2021. Em julho do mesmo ano, a empresa White Tratores Serviços de Terraplenagem EIRELI foi homologada vencedora para executar os serviços sob o montante exato de R$ 15.719.495,13. O acordo previa 720 dias para a conclusão das obras e vigência de 36 meses, contando com o aporte financeiro do fundo da própria corporação (FUNCBM) e de um repasse federal do Ministério da Justiça via Caixa Econômica Federal.

Cinco anos após o início formal dos trâmites e passados 1.825 dias do compromisso firmado, o cenário no lote 03 do é de completa estagnação. A ausência de operários, maquinários e engenheiros corrobora a deterioração precoce das estruturas expostas ao clima, sem que o comando da corporação venha a público apresentar justificativas plausíveis ou punições administrativas pelo descumprimento do cronograma. O silêncio institucional camufla a falta de transparência sobre o destino real dos valores empenhados.

A inércia ganha contornos de conveniência política diante do sumiço das lideranças que outrora usaram o projeto como vitrine eleitoral. O deputado distrital Roosevelt Vilela, apontado nos bastidores e em solenidades oficiais como o padrinho político da construção, esquivou-se das prerrogativas de fiscalização que competem ao Poder Legislativo. A conduta passiva sugere uma complacência tácita com o desperdício que afeta diretamente o contribuinte e a própria categoria militar.

O colapso do CEFAP expõe uma política crônica de abandono de infraestrutura dentro do CBMDF, onde o lançamento de pedras fundamentais e a instalação de placas publicitárias substituem a entrega efetiva de melhorias. O prejuízo é duplo: penaliza o erário com recursos travados e castiga a tropa, que segue confinada em estruturas velhas, precárias e improvisadas.









