Policiais penais do Distrito Federal decidiram romper o silêncio e denunciar o que descrevem como uma verdadeira “indústria de PADs” dentro da Secretaria de Administração Penitenciária (SEAPE).
Segundo os relatos encaminhados ao A Voz dos Praças, a cúpula da pasta estaria utilizando procedimentos disciplinares e medidas administrativas como instrumentos de perseguição contra servidores que passam a ser vistos como incômodos por questionarem decisões da gestão ou adotarem posicionamentos considerados inconvenientes.
De acordo com os relatos, mesmo quando as investigações preliminares concluem pela inexistência de qualquer irregularidade, os PADs prosseguem normalmente, submetendo o policial ao desgaste de suportar os custos da defesa, a exposição decorrente do processo e a permanente insegurança quanto ao seu futuro funcional.
As queixas apontam ainda que esse ambiente de pressão leva muitos policiais penais a aceitarem Termos de Ajustamento de Conduta (TACs), não por reconhecerem qualquer irregularidade, mas pelo receio de que a continuidade do PAD resulte em penalidades mais severas, transformando o procedimento disciplinar em um instrumento de coerção, e não de apuração da verdade.
Quando o PAD não produz o efeito esperado, a perseguição assume outra forma. Remoções administrativas passam a ser utilizadas para afastar servidores de seus locais de trabalho, desencorajar críticas e denúncias e silenciar qualquer manifestação contrária aos interesses da cúpula da SEAPE, instaurando um ambiente permanente de medo dentro da instituição.
O medo que hoje faz parte da rotina dos policiais penais do Distrito Federal não vem dos presos, mas da própria gestão da SEAPE — do receio permanente de se tornar o próximo alvo da chamada “indústria de PADs”.

Há informações de que essas práticas são de conhecimento de representantes sindicais, mas vêm sendo toleradas há anos. Parte dos fatos já é objeto do Inquérito Civil nº 859/2025, instaurado pelo Ministério Público do Trabalho.









