Fantasminha de Confiança?
Keilla Alves de Almeida, esposa do deputado distrital Hermeto, ocupa um confortável cargo comissionado de Assessor Administrativo IV no SENAC-DF, com remuneração aproximada de R$ 13.504,35. Nada mal para um posto de “confiança” — daqueles em que a confiança começa em casa e termina no contracheque.
O detalhe que incomoda mais que o próprio nepotismo? A suposta rotina de trabalho. Segundo relatos, a presença de Keilla Alves seria mais rara que auditoria surpresa. O expediente, ao que tudo indica, funcionaria sob um conceito inovador: comparecer apenas quando o RH chama para assinar papéis do próprio contracheque.
Nos corredores, o comentário é que o cargo existe diariamente — já a ocupante, nem tanto. Trabalhar, dizem, teria virado uma formalidade opcional. A assinatura aparece. A presença, quase nunca.
E como em toda boa história de “confiança institucional”, os laços de aproximação não são mero detalhe — são a engrenagem.
O SENAC-DF, segundo críticas recorrentes nos bastidores políticos, teria se tornado um terreno fértil para acomodação de mulheres e parentes de aliados do governo. Um ambiente confortável. Discreto. Blindado.
Ali não há portal de transparência como nos órgãos públicos tradicionais. Não há portal detalhado de dados abertos. Não há divulgação ampla de frequência funcional. Não há exposição sistemática de critérios de nomeação para cargos comissionados.
Quando questionado formalmente pela A Voz dos Praças sobre dados profissionais relacionados ao exercício do cargo, o SENAC invocou a Lei Geral de Proteção de Dados para negar informações. A negativa não foi sobre dados íntimos. Foi sobre informações funcionais.

Em resposta formal enviada em 18 de novembro de 2025, a Ouvidoria do SENAC informou que o pedido de acesso às informações profissionais de Keilla Alves de Almeida foi enquadrado como solicitação de “informações pessoais” e, com base na Lei nº 13.709/2018 (Lei Geral de Proteção de Dados), declarou não possuir autorização para disponibilizar os dados requeridos, encaminhando a demanda às áreas internas de DHO e Jurídico para análise.
O resultado? Um espaço onde cargos de confiança prosperam longe dos olhos do contribuinte. Um sistema financiado por recursos parafiscais, mas operando como se a fiscalização fosse opcional.
Se Keila Alves trabalha regularmente, que se prove com a mesma naturalidade com que o salário é depositado. Se não trabalha, não estamos diante de exceção — estamos diante de método.
Porque no Brasil das engrenagens invisíveis, o fantasma nunca aparece sozinho. Ele sempre vem acompanhado de silêncio.









