O afastamento do diretor de Modernização e Inovação Digital da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF), o policial penal Walério Oliveira Camporês, abriu uma crise silenciosa dentro da Casa e mergulhou os bastidores do Legislativo em um ambiente de desconfiança, tensão política e medo.
Oficialmente, a Câmara investiga se o diretor utilizou a estrutura da pasta — vinculada à Quarta-Secretaria, sob o comando do deputado Robério Negreiros — para promover uma suposta espionagem em computadores e sistemas internos, situação considerada grave o suficiente para justificar a abertura de um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) e o seu afastamento cautelar pelo prazo de 60 dias.

Organograma CLDF.
Entretanto, longe do discurso oficial, servidores da CLDF descrevem um cenário muito mais inflamável, onde o afastamento de Walério é visto como uma retaliação direta. O diretor teria se tornado um “alvo” após detectar movimentações sensíveis envolvendo parlamentares da base governista e, em um gesto de “coragem”, encaminhado essas informações à Polícia Federal.
O material em questão teria passado a integrar uma investigação, dentro da Operação Compliance Zero, que mira o [censurado, sob pena de prisão] da CLDF e outros distritais, suspeitos de receberem vantagens para favorecer a aprovação da compra do Banco Master.
A ausência de esclarecimentos concretos acirrou a disputa de narrativas na Casa, mas o que realmente chama a atenção é a quebra do rito administrativo, já que, para servidores cedidos, a praxe administrativa é a exoneração imediata e o retorno ao órgão de origem, e não o rito atípico de um afastamento cautelar via PAD, medida considerada atípica e interpretada como uma tentativa de manter o diretor sob o controle e neutralizar o potencial explosivo das suas descobertas.









