Relatos apontam que a rotina de Paulo Henrique Costa, antes de ser afastado da presidência do Banco de Brasília e preso por envolvimento em investigações sobre operações com o Banco Master, era atravessada por demandas parlamentares que pouco tinham a ver com a missão institucional da estatal.
Deputados distritais da base governista não davam trégua. Entre solicitações formais e informais, surgiam pedidos de toda ordem, alguns, no mínimo, curiosos. Uma parlamentar com atuação na região leste do DF, por exemplo, teria se notabilizado pela insistência em obter ingressos para shows patrocinados pelo banco. Não apenas para si, mas também para o convivente e até para familiares próximos.
O episódio, embora tratado com ironia nos corredores do BRB, expõe uma prática antiga na política brasileira: a confusão entre o público e o privado. Patrocínios culturais, que deveriam cumprir critérios técnicos e ampliar o acesso da população, acabam, por vezes, orbitando somente interesses particulares de parlamentares.
A pressão sobre dirigentes de instituições financeiras públicas não é novidade, mas o excesso de “mimos” solicitados chama atenção. No limite, cria-se um ambiente em que o gestor precisa administrar não só números e políticas de crédito, mas também expectativas pouco republicanas.
Enquanto isso, o contribuinte segue como espectador involuntário, pagando a conta e, ironicamente, muitas vezes sem ingresso para o espetáculo.









