O alerta de que poderia ser citada por Paulo Henrique Costa, antecipado pela coluna de Lauro Jardim, no O Globo, provocou reação imediata em Celina Leão (PP). Em menos de uma hora, numa tentativa de se antecipar aos efeitos de uma revelação que ameaça expor os bastidores do Buriti, a governadora publicou um vídeo no qual, além de rechaçar qualquer proximidade com o ex-presidente do BRB, negou ter exercido influência política em sua indicação.
Celina parece sofrer de uma amnésia conveniente ao ignorar que Paulo Henrique não caiu de paraquedas no BRB, mas por articulação de seu próprio grupo político. Tanto ele quanto seu sucessor, Nelson Antônio de Souza, chegaram à presidência do banco pelas mãos de Ciro Nogueira — padrinho político da governadora e presidente do PP —, evidenciando que, ao contrário do distanciamento que tenta pregar, a “Leoa” está umbilicalmente ligada à engrenagem que destruiu o banco público.

Em 2021, Ciro Nogueira — o mentor da “Leoa” — tentou levar o método Paulo Henrique Costa para o comando do Banco do Brasil. Ainda bem que não conseguiu. O país escapou por pouco; caso a articulação tivesse prosperado, o risco de colapso não estaria restrito a uma instituição regional, mas ameaçaria o coração do sistema financeiro nacional.
E sobre a ausência de proximidade, os arquivos e as redes sociais não mentem. Vários são os momentos em que os dois dividiram o mesmo espaço com a naturalidade de aliados íntimos, provando que a “preocupação zero” de Celina é, na verdade, um esforço desesperado para apagar um passado de parceria escancarada.














