A governadora, que hoje tenta desesperadamente se equilibrar no palanque da direita e mimetizar o discurso bolsonarista no Distrito Federal, protagoniza, na prática, um espetáculo de puro oportunismo político.

Não há em Celina Leão qualquer traço consistente de identificação ideológica ou compromisso com valores conservadores; o que se vê é um cálculo frio e cínico para capturar o apoio do PL e atrair o eleitorado bolsonarista em busca de votos.
E o mais difícil de compreender: tudo isso ocorre com o apoio da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.
Celina não é aliada do bolsonarismo; é inquilina de uma ideologia que detesta. Registros públicos mostram, em momentos-chave, a governadora inserida exatamente no ambiente oposto, ao lado de figuras centrais do lulopetismo:
- Em 2 de janeiro de 2023, seis dias antes dos atos de 8 de janeiro, Celina participou de um jantar com Gleisi Hoffmann, Lindbergh Farias, José Dirceu, Marcelo Freixo e Cristovam Buarque, onde, entre outros temas, se comemorava o novo governo;

Kakay reuniu convidados influentes entre magistrados e aliados do novo governo: a presidente do PT, Gleisi Hoffmann; o ministro do STF Ricardo Lewandowski; o ministro do STJ Sebastião Reis; José Eduardo Cardozo, Paulo Rocha, Lindbergh Farias, José Dirceu, Marcelo Freixo e Cristovam Buarque. Uma convidada aliada do ex-presidente Jair Bolsonaro estava à vontade, a vice-governadora Celina Leão (PP). Kakay recebeu o grupo em seu restaurante, Fuego, novo point do poder em Brasília. Foto: Correio Braziliense.
- em 14 de março de 2024, voltou ao mesmo círculo ao participar da festa de aniversário de 78 anos de José Dirceu.

Veja fotos e vídeos e leia a lista de quem foi à festa de Zé Dirceu. — Foto: Poder 360.
Mais grave — e impossível de ser ignorado pelo bolsonarismo —: em 25 de janeiro de 2021, ao justificar o voto pela manutenção da prisão de Daniel Silveira, Celina Leão classificou a decisão como necessária naquele momento, mesmo reconhecendo que não se tratava de flagrante e que não estavam presentes os requisitos para a manutenção da medida.
O que os fatos mostram é simples: Celina Leão não é bolsonarista. Nunca foi. O que existe hoje não é alinhamento ideológico, é cálculo político — sustentado por registros que desmentem, de forma objetiva, o discurso que tenta vender.
Portanto, o figurino de direita vestido por Celina Leão é uma fantasia de ocasião, costurada sob medida para a sobrevivência eleitoral. Ao ignorar o histórico de alianças e decisões da governadora, o bolsonarismo corre o risco de entregar as chaves do Distrito Federal a quem, na primeira oportunidade, voltará a brindar com antigos companheiros.









