Antônio Carvalho Duarte, conhecido como Toni Duarte, está no centro de uma polêmica que envolve recursos públicos e o uso coordenado de informações — cenário que, segundo fontes, já é alvo de minucioso levantamento do Ministério Público Eleitoral (MPE).
Presidente da Associação Brasileira de Portais de Notícias (ABBP) — entidade que abriga os 20 sites que dispararam, em bloco, fake news contra o Cabo Vitório —, Toni recebeu ao menos R$ 162.234,60 do Governo do Distrito Federal apenas em 2025.
A primeira reação de Toni, após a exposição da ligação dos portais com a ABBP pelo portal A Voz dos Praças, não foi cobrar explicações de seus associados, mas suprimir a transparência: simplesmente retirou do acesso público a lista de membros da entidade.

O Toni de 2026, aliado de primeira ordem da governadora Celina Leão, já não é o mesmo de 2024, época em que criticava duramente o uso de estruturas de comunicação vinculadas ao poder público para fins políticos.

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O poder transforma
O que separa um momento do outro é o poder: ao assumir a presidência da ABBP, em março de 2025, Toni passou a agir exatamente como aqueles que denunciava. Hoje, defende a concentração de recursos públicos entre seus associados e reproduz a mesma lógica de uso político da máquina que antes combatia.
A tática é clara: portais associados publicam, simultaneiamente, ataques a opositores — como o caso das notícias falsas contra o Cabo Vitório — enquanto a transparência da associação é varrida para debaixo do tapete.
O que antes era alvo de crítica, hoje atua sob seu comando
O Ministério Público, que já analisa a proporcionalidade entre os valores pagos e o alcance efetivo das publicações, passa a ter agora elementos para análise de possível uso direcionado da máquina de comunicação.
Para o órgão, não há justificativa técnica para que agências concentrem a publicidade do GDF, da Câmara Legislativa e de empresas públicas, mesmo sem demonstrar alcance, relevância ou qualquer diferenciação no conteúdo publicado.
O que se vê não é jornalismo, é método
Se o financiamento público não se justifica por audiência ou serviço prestado, mas pela conveniência de ataques coordenados, a comunicação deixa de ser institucional para se tornar uma milícia digital remunerada pelo contribuinte — especialmente diante de investigações que apuram possível influência nas próximas eleições, ainda no período de pré-campanha.









