Em 2022, o comando do 1º GBM-DF, em Brasília, iniciou uma obra no prédio principal e transferiu o efetivo para um espaço improvisado, vendido como solução temporária. Quatro anos depois, nada mudou — a obra não foi concluída e os militares continuam no mesmo local, sem qualquer estrutura mínima.
O que era provisório virou rotina.
As imagens mostram água acumulada, ralos deteriorados, infiltração ao lado das camas e um quadro elétrico exposto dentro do alojamento. Há fezes de morcego com fungo no forro, morcegos mortos na caixa d’água, colchões com percevejos, presença constante de ratos e baratas, além de esgoto a céu aberto, gordura transbordando, banheiros quebrados e ausência total de manutenção.

Em dias de chuva, a água não fica do lado de fora — invade o alojamento, escorre pelas paredes e se acumula no chão. Chove mais dentro do quartel do que fora, transformando o espaço de descanso em mais uma área de risco.
Não se trata de desconforto. É insalubridade evidente. É risco real à saúde.
Ainda assim, os militares seguem trabalhando e dormindo no local. Um ambiente que não atenderia padrão mínimo nem de uma prisão — quanto mais para quem atua diretamente no salvamento de vidas.
O quartel deixou de ser base e passou a funcionar como gatilho.
Os relatos confirmam o cenário: adoecimento recorrente, surtos de diarreia, desgaste psicológico e aumento da tensão interna — refletidos em brigas frequentes, ameaças com faca durante o serviço e até tentativa de suicídio.
E nada disso é desconhecido.
Já houve diagnóstico interno. Já houve reconhecimento do problema. Mesmo assim, Marcus Luiz Barboza mantem parte do efetivo no local.
E a consequência disso não é administrativa — é humana. Quem entra para salvar vidas está sendo exposto, todos os dias, a um ambiente que o empurra para a própria morte.









