Diego pegou a prisão do criminoso que arrancou a orelha de um policial e transformou em tese de abuso — uma aberração jurídica e moral que trata o cumprimento do dever como crime. Perseguiu as guarnições que apenas fizeram o que ele nunca teve coragem de fazer: enfrentar bandido de frente.
Depois de transformar doze quilômetros entre batalhões em argumento para justificar cautelares contra policiais do GTOP 35, o então capitão — hoje Major — Diego, da Corregedoria da PMDF, não recuou.
Com as interceptações telefônicas autorizadas, mesmo sem encontrar nada de concreto, passou a moldar os fatos à própria conveniência — forjando narrativas sob medida para sustentar a perseguição. Trechos desconexos foram convertidos em “indícios”, e cada indício fabricado servia de pretexto para incluir mais nomes nas escutas e para pleitear novas medidas cautelares.

Mesmo o ato mais básico de defesa virou suspeita nas mãos de Diego. No relatório, o simples fato de dois policiais comentarem que iriam falar com seus advogados foi tratado como indício de culpa — como se buscar orientação jurídica fosse crime, e o direito de se defender, prova de confissão. É a distorção levada ao extremo: na Corregedoria de Diego, até o exercício da lei serve para alimentar o teatro da perseguição.
Foi nesse processo de ampliação forçada do inquérito e inclusão artificial de policiais do 15º BPM que, em 2020, Diego protagonizou um dos episódios mais grotescos da Corregedoria: usou a prisão em flagrante de criminosos que arrancaram, a mordidas, parte da orelha de um policial militar como argumento para sustentar que a guarnição agia de forma recorrente com invasões de residências — distorcendo um ato legítimo de reação a um crime brutal em suposto “padrão de conduta ilegal”.

Durante a operação em que os policiais capturaram o criminoso que havia arrancado a orelha de um colega, Diego enxergou o contrário do óbvio. Em vez de reconhecer a coragem da guarnição que reagiu ao ataque e prendeu o agressor, ele usou o episódio como “prova” de que o grupo invadia casas — distorcendo uma ação legítima de prisão em flagrante em narrativa de abuso. Na lógica perversa da Corregedoria de Diego, até quem prende o autor da violência vira autor do crime.
O efeito prático foi devastador. Medidas cautelares e interceptações, sustentadas por recortes e “provavelmente”, passaram a atingir policiais que, até então, eram reconhecidos por sua produtividade nas ruas. O processo inchou e o tempo virou instrumento de pressão: cinco anos depois dos fatos de 2020, os autos permanecem abertos, sem conclusão que justifique manter sob suspeita os mesmos militares. Enquanto isso, o autor da montagem — o oficial que construiu a narrativa — segue intocado, repetindo o método dentro da própria Corregedoria.
É impossível não ver a monstruosidade: um episódio de violência extrema contra a tropa foi apropriado para fabricar suspeitas contra quem combate o crime.
A inversão é sintomática — a polícia que prende virou alvo; o flagrante legítimo virou pretexto; e o exercício da defesa passou a ser tratado como indício. Tudo isso, na caneta de um único responsável, produziu um inquérito que não busca esclarecer: busca amedrontar.

A pergunta que fica — e que deve ser cobrada das autoridades — é simples: com que base técnica e probatória foram autorizadas medidas que ampliaram o alcance do inquérito para militares que não integravam o fato original? Por que fragmentos descontextualizados foram aceitos como combustível para buscas e interceptações? E por que, cinco anos depois, o processo continua servindo como ferramenta de pressão, e não de apuração?
O que os documentos mostram não é apenas incompetência investigativa: é a construção deliberada de uma narrativa a partir do nada. Quando não há prova, o método foi fabricar argumento; quando há coragem na rua, transformá-la em suspeita. Na Corregedoria de Diego, o trabalho virou alvo — e a proteção, ilusão.









