O blog de Malu Gaspar, no O Globo, revelou nesta terça-feira (10) que o escritório de advocacia de Ibaneis Rocha (MDB) firmou um contrato de R$ 38 milhões de venda de honorários de precatórios a um fundo ligado à Reag, gestora investigada pela Polícia Federal por participação no esquema de desvio de recursos do BRB pelo Banco Master.
O termo de cessão dos honorários foi assinado em maio de 2024, quando o BRB já vinha adquirindo carteiras da instituição de Daniel Vorcaro.
E, muito embora a defesa do governador Ibaneis Rocha negue qualquer conhecimento ou participação na operação, a rede de relações entre os envolvidos torna essa alegação pouco convincente, já que o negócio foi conduzido por pessoas ligadas diretamente a seu círculo familiar e ao entorno político do Palácio do Buriti.
Foi o advogado Caio Carvalho Barros, filho do governador, quem redigiu o termo de cessão. O documento foi assinado por Luzineide Getro de Carvalho, gerente administrativa do escritório, mãe de Caio e ex-esposa de Ibaneis. O negócio teve ainda a participação de Engels Augusto Muniz, sócio do escritório de advocacia de Gustavo do Vale Rocha, secretário da Casa Civil do DF.

Esse emaranhado de vínculos, que envolve pessoas situadas justamente no núcleo mais próximo do governador, torna insuficiente, ao menos até aqui, a simples alegação de desconhecimento apresentada pela defesa de Ibaneis Rocha.

Hoje, com o que está público, ainda não dá para afirmar que esse contrato de R$ 38 milhões foi uma forma de repassar vantagem a Ibaneis em troca da operação BRB-Master.
Ainda assim, a coincidência entre o timing do negócio, os vínculos pessoais e políticos dos envolvidos e o contexto em que o acordo foi firmado tornam legítima a suspeita de que a cessão possa ter servido a interesses que vão além de uma simples operação privada.



