Uma mulher com o pé fraturado, deformado e em dor intensa foi deixada à própria sorte no sistema de saúde do Distrito Federal. O caso, ocorrido na quarta-feira (8/4) após uma queda de moto, expõe, de forma direta, o que significa precisar de socorro médico e depender da rede pública sob gestão de Celina Leão.
Após o acidente, a escolha foi a mais óbvia: buscar atendimento na unidade mais próxima. Vicente Pires foi o primeiro destino. O que se encontrou, no entanto, não foi atendimento, mas um cenário de desorganização, com pacientes amontoados dentro e fora da unidade, aguardando por horas sem qualquer indicação de quando — ou se — seriam chamados.

Não havia fluxo definido, nem orientação clara para quem aguardava. A espera se arrastou até que veio a constatação mais grave: não havia ortopedista disponível. A informação surgiu apenas após horas, acompanhada de uma orientação informal para buscar atendimento no Hospital Regional da Asa Norte (HRAN).
Sem atendimento, sem encaminhamento formal e ainda em dor intensa, a paciente deixou a unidade não por ter sido atendida, mas por não haver quem assumisse o caso. Foi, na prática, empurrada para outro hospital.
No HRAN, o cenário não melhora. A unidade operava em “bandeira vermelha”, atendendo exclusivamente casos com risco iminente de morte, o que, na prática, exclui pacientes com fratura, mesmo diante de dor evidente e limitação física.
O resultado é um percurso marcado por espera, sofrimento, muita humilhação e ausência completa de solução. O que começou como um pedido de socorro terminou como mais um caso absorvido por um sistema que não responde.
Até agora, a paciente segue com dor e sem diagnóstico. No DF de hoje, a fratura não é o único problema; o abandono é o pior dos quadros.









