Uma criança de 5 anos, com febre de 40°C, passou 36 horas sendo levada de uma unidade de saúde a outra no Distrito Federal sem conseguir atendimento. Quando finalmente conseguiu, saiu com uma receita simples de paracetamol — sem exames, sem soro, sem qualquer resposta compatível com o quadro.

O que se vê não é falha pontual. É abandono.
A mãe iniciou a busca por atendimento na segunda-feira (13), no Hospital Regional de Ceilândia. Encontrou gente amontoada, portas cheias e nenhum médico disponível. Seguiu para a UPA da Ceilândia. O cenário se repetia: novamente, não houve atendimento. Voltou para casa com a filha ainda febril, levando no colo um problema que o Estado decidiu ignorar.

Na terça-feira (14), com a febre persistindo e o corpo já dando sinais de fraqueza, a peregrinação recomeçou. Foram três novas tentativas. Na última, mais de seis horas de espera até conseguir entrar em um consultório. Mas o atendimento, quando veio, além de rápido e sem humanidade, não resolveu.
O médico mal olhou o quadro clínico, não solicitou exames nem realizou qualquer intervenção. Limitou-se a prescrever paracetamol e a orientação de “observar” — como se febre alta persistente, fraqueza e sinais de agravamento fossem detalhes descartáveis.
Observar o quê? Até quando?
E o que se vê não é um caso isolado. É um padrão: unidades lotadas, ausência de profissionais, demora excessiva e, quando o atendimento acontece, ele se resume ao mínimo — quando não ao nada.
O vínculo institucional é claro. Todas as unidades envolvidas integram a rede de saúde do Distrito Federal, sob responsabilidade direta do governo. O que deveria ser porta de entrada para socorro se transforma em um circuito de desgaste, onde o paciente roda, espera e volta para casa sem solução.
No Distrito Federal, não é só difícil ser atendido, é possível conseguir atendimento — e ainda assim sair sem ser realmente cuidado.
No fim, a febre continua e o abandono também.









