O dia em que o major Diego, da Corregedoria, partiu para o improviso criminoso: invadiu o 4º BPM e tentou instalar escuta clandestina nas viaturas do GTOP 24. Foi flagrado e participado.
Nos últimos anos, houve uma percepção, especialmente entre os policiais das unidades especializadas, de que a Corregedoria da PMDF deixou de cumprir o papel de fiscalizar abusos para se tornar um sistema voltado a perseguir justamente aqueles que mais produzem resultados — como se prender ladrão, por si só, fosse crime.
Exatamente isso: os que deveriam receber reconhecimento e destaque pelo trabalho, pouco a pouco, têm se tornado alvos dentro da própria corporação.
Mas o material que chega nas mãos da reportagem nos legitima a falar: há um padrão bem definido, em que o Major Diego, oficial lotado na Corregedoria, é apontado por fontes da própria tropa como responsável por conduzir um perverso sistema que manipula investigações, distorce fatos e cria narrativas convenientes para derrubar — não ladrões, mas justamente as guarnições que mais prendem criminosos.
Iniciaremos essas demonstrações com um episódio ocorrido no segundo semestre de 2020. À época capitão, Diego, já atuando em funções investigativas na Corregedoria, passou a mirar guarnições do GTOP do 4º BPM que vinham apresentando altos índices de prisões e apreensões.
Sem conseguir reunir provas ou indícios que justificassem medidas formais, como pedidos de busca ou interceptação contra o grupamento, ele, pessoalmente, partiu para o improviso criminoso: invadiu a unidade e tentou instalar escuta clandestina no sistema de rádio das viaturas.
Foi flagrado na hora. A loucura foi tamanha que o subcomandante da unidade precisou intervir para conter o devaneio do oficial.
O mais grave? Nada aconteceu. O caso foi abafado, nenhum processo avançou. Ao contrário: Diego foi promovido a major e segue na Corregedoria, repetindo práticas abusivas contra outros policiais.
Em um Brasil onde se multiplicam denúncias de ligações entre autoridades e facções criminosas — como PCC e CV —, o caso de Diego se destaca por não ser um episódio isolado, mas parte de um padrão de atuação que revelaremos em próximas matérias, sustentado pelo apoio de setores internos da PMDF e pela permissão de órgãos externos.









