Enquanto muitos se silenciaram dentro e fora da PMDF, Cabo Vitório, do A Voz dos Praças, foi o único a ter coragem de falar — de expor a atuação de um homem (se é que assim podemos chamar) que se valia das prerrogativas do cargo na Corregedoria da corporação para perseguir e assediar subordinados.
À medida que o nome de Major Diego dos Santos, então subchefe da Seção de Investigação de Corregedoria Militar (SICM), começava a circular, os relatos deixavam de ser isolados e passavam a formar um padrão claro: o uso deliberado de um órgão de controle interno como instrumento de abuso, voltado à satisfação de impulsos doentios pessoais.
Até que o mais grave veio à tona — algo que ultrapassa qualquer desvio funcional e entra no campo da violência: Diego teria se utilizado da superioridade hierárquica para assediar sexualmente uma militar. Diante de denúncias anônimas, ainda sem suporte probatório formal, Cabo Vitório decidiu agir, assumindo o risco para impedir que o silêncio continuasse protegendo o agressor e isolando a vítima.
Não foi Ana Paula, então comandante-geral, quem tomou a iniciativa. Não foi Celina Leão, atual governadora do DF, quem se pronunciou. Foi Cabo Vitório — hoje processado por ambas sob o discurso de perseguição a mulheres — quem expôs um caso de assédio sexual que, para elas, permaneceu conveniente ignorar.
Após quase três anos de completo abandono institucional, a militar passou, enfim, a ser protegida. Mas não por iniciativa interna: Ana Paula só instaurou o inquérito policial militar após determinação do Ministério Público.










