A atuação da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro voltou ao centro das críticas no Distrito Federal após impor o apoio do Partido Liberal à governadora Celina Leão (PP), barrando qualquer construção de candidatura própria da sigla.
A decisão, sem qualquer debate interno, é classificada nos bastidores como ditatorial. Integrantes do partido enxergam uma contradição direta: o discurso que Michelle sustenta publicamente contra censura e silenciamento de opiniões não resiste à prática adotada agora — dentro da própria legenda, onde dizem que vozes foram simplesmente ignoradas.
O movimento também atinge diretamente o senador Izalci Lucas (PL), que já havia colocado seu nome como pré-candidato ao governo. Ao ignorar essa construção, a ex-primeira-dama esvazia o protagonismo local e reduz o espaço de articulação interna.
A incoerência política virou outro ponto de desgaste. Em outro cenário, Michelle se posicionou contra o apoio do PL a Ciro Gomes no Ceará, defendendo candidatura própria. No DF, adota o caminho oposto — e sem consulta.
Além do impacto interno, a decisão coloca o partido em posição delicada. Ao apoiar um nome de outro partido, a sigla abre mão do protagonismo na disputa ao governo e se ancora em uma aliança que pode ser impactada pelos desdobramentos das investigações envolvendo o Banco Master.
Nos bastidores, a leitura é direta: não houve construção, houve imposição. E, quando a política abandona o diálogo, o racha deixa de ser possibilidade — vira efeito imediato.









