Após votar pela prisão de Daniel Silveira em 2021, quando era deputada federal, Celina Leão, agora como governadora do DF, volta a atingir o bolsonarismo ao qual diz pertencer: acionou a Justiça Eleitoral contra Alan dos Santos — movimento que escancara uma contradição profunda e desmonta o discurso que tenta sustentar.
A "Leoa" utiliza justamente o mecanismo que o bolsonarismo denuncia como censura e perseguição: uma representação judicial por suposta desinformação e ataque à integridade do processo eleitoral. A manobra expõe que a prática da governadora é o oposto exato de seu discurso público.

A representação inclui, ainda, a plataforma X (antigo Twitter) como parte interessada. O gesto reativa, entre os bolsonaristas mais estridentes, a memória da suspensão da plataforma no Brasil por determinação do ministro Alexandre de Moraes, reforçando a percepção de alinhamento com o que a direita diz combater.

O Partido Progressista, autor da ação, é presidido no DF por Celina Leão.
Ao cruzar essa linha, Celina Leão parece ter feito uma escolha pragmática: prefere o conforto do sistema e a blindagem das instituições à fidelidade irrestrita aos valores de seus eleitores.
Resta saber se o bolsonarismo, conhecido por não perdoar o que classifica como traição, aceitará esse "estilo" de governar ou se o divórcio entre a governadora e sua base será definitivo nas urnas.









