Ibaneis se despediu do Governo do Distrito Federal com um costelão em Ceilândia — a maior cidade do DF.
Cercado por deputados aliados e assessores, encenou um último ato de poder: fumaça alta, gordura pingando e elogios no ponto.
O ritual do churrasco, lento e cerimonial, destoava do tempo real da política. Enquanto a costela assava por horas, o poder já começava a desmanchar.
Entre um corte e outro, discursos eram servidos como farofa: secos, repetidos e feitos para preencher prato — não para alimentar ninguém.
A cena lembrava o último baile da Ilha Fiscal, no Rio de Janeiro: muita luz, pouca consciência do fim.
Ali, entre brindes e risadas, não se celebrava — se encerrava. Sem anúncio, sem aviso formal, mas com todos os sinais expostos à mesa.
Quando o fogo apagar e o carvão virar cinza, restará o que sempre sobra: ossos, gordura fria e a lembrança de um poder que parecia firme por fora — mas já se soltava por dentro.



