Menos de duas semanas após o A Voz dos Praças revelar o caso do aluno de 10 anos brutalmente espancado por outras dez crianças no Colégio Militar Dom Pedro II, do CBMDF, um novo episódio de violência dentro da unidade faz pais e mães questionarem não apenas a segurança dos alunos, mas principalmente a maneira como o colégio vem tratando ocorrências graves envolvendo crianças.
Desta vez, a sequência dos fatos quase terminou em tragédia permanente. Na última quarta-feira (6/5), um aluno sofreu perfuração na córnea após ser atingido no olho por um lápis lançado por outro estudante dentro da escola.
O que veio depois é revoltante. Segundo relatos, em vez de acionar imediatamente os responsáveis ou encaminhar a criança para atendimento médico especializado, o colégio levou o menino para a enfermaria, realizou apenas lavagem com soro fisiológico e liberou o aluno sem qualquer comunicação formal aos pais.
A omissão teria feito a criança permanecer por mais de 24 horas com dores intensas, perda de líquido ocular e risco de agravamento da lesão sem que a família sequer soubesse o que estava acontecendo. O diagnóstico só apareceu quando os próprios pais perceberam a situação e buscaram atendimento médico: uma perfuração de córnea de 2mm. O caso foi tão grave que o aluno precisou de cirurgia de emergência e levou dois pontos no globo ocular.
O desabafo, que circula nos grupos de WhatsApp da escola, é um grito de socorro contra o descaso:
"A escola foi negligente. Se uma unha quebra, os pais devem ser avisados, ainda mais um lápis no olho. Talvez se tivessem avisado no dia, não teria perdido líquido".
Enquanto o comando do tenente-coronel Carlos Henrique dos Santos parece mais preocupado em "abafar" as ocorrências para manter uma fachada de ordem, a realidade da escola é de violência e abandono.
A sucessão dos episódios começa a desmontar o discurso de normalidade sustentado pela instituição e faz crescer um questionamento inevitável entre pais e responsáveis: quantas crianças mais precisarão sair feridas, hospitalizadas ou mutiladas para que o CBMDF compreenda que disciplina sem segurança se transforma apenas em abandono institucional travestido de autoridade?
O outro lado
Até o fechamento desta edição, nem o CMDP II nem o CBMDF haviam se manifestado sobre o caso. O espaço permanece aberto para manifestações e esclarecimentos oficiais.









