O cerco contra João Hermeto de Oliveira Neto, deputado distrital e líder do governo Celina Leão na CLDF, acaba de ganhar um novo e grave capítulo. O Ministério Público Eleitoral (MPE) acaba de apresentar uma denúncia formal contra o parlamentar pelos crimes de falsidade ideológica eleitoral e peculato eleitoral.

Decisão registra denúncia do Ministério Público Eleitoral contra João Hermeto de Oliveira Neto, Deivid Lopes Ferreira e Raimundo Rocha da Silva por falsidade ideológica eleitoral e peculato eleitoral.
O processo, que já tramita sob o número 0600020-70.2021.6.07.0011 na Justiça Eleitoral do DF, traz à tona um esquema de contratos fictícios e movimentações financeiras nebulosas que agora colocam o mandato de Hermeto sob risco real.
O MPE reuniu um conjunto contundente de provas colhidas durante o inquérito policial, incluindo recibos eleitorais e registros financeiros que apontam para uma prática criminosa organizada.
Além do deputado, Deivid Lopes Ferreira e o Major do CBMDF Raimundo Rocha da Silva também figuram entre os denunciados.
Mas o que realmente encurrala a defesa do parlamentar é o fato de que dois de seus assessores diretos já terem confessado os crimes. No mesmo processo, Márcio Bitencourt Silva e Licérgio Oliveira de Souza firmaram Acordo de Não Persecução Penal (ANPP) e admitiram oficialmente a prática dos fatos investigados, como revelado pelo A Voz dos Praças em 9 de abril.

Márcio Bitencourt Silva (à esquerda) e Licérgio Oliveira de Souza (à direita).
Este novo escândalo é o ápice de um mês de agonia para o líder do governo. Em pouco mais de 30 dias, Hermeto viu seu nome ser arrastado para o centro de três frentes de investigação distintas.
No dia 12 de março, foi alvo de busca e apreensão em um inquérito que apura o desvio de R$ 46 milhões na educação do DF. Na semana passada, o desgaste aumentou com o indiciamento pela Polícia Civil por suspeita de "rachadinha" — a extorsão sistemática dos salários de seus assessores. Agora, com a denúncia do MPE por apropriação de recursos eleitorais e falsidades, o cerco parece se fechar.
A grande dúvida que paira nos corredores da Câmara Legislativa e nas ruas do Distrito Federal é sobre qual será a próxima narrativa do deputado.
No caso da rachadinha, Hermeto não hesitou em acusar o delegado responsável de perseguição pessoal. No entanto, diante de uma denúncia formal do MPE e com a confissão assinada por seus próprios aliados de gabinete, o argumento da "vítima de perseguição" perde força e começa a soar como um desespero político.
Para o cidadão candango, o que resta é aguardar se a justiça será feita ou se o líder do governo continuará a usar o ataque às instituições como escudo para suas práticas criminosas.









