O esforço que a governadora Celina Leão (PP) faz para se distanciar do escândalo envolvendo o BRB e o Banco Master, sob a alegação de que “não sabia de nada”, sucumbe diante de um bastidor revelador.
Em agosto de 2025, treze semanas antes de a crise explodir no Banco Central, a então vice-governadora já demonstrava ciência de que o esquema capitaneado por Ibaneis Rocha havia ultrapassado qualquer limite de segurança ao ao acionar um interlocutor direto do à época governador, como revelado pelo colunista Luís Costa Pinto, do ICL:
“Amigo, você sabe que ele te ouve. E nesse caso, só ouvirá você, pois é quem diz as verdades mais duras para ele: diga a ele que estamos sendo investigados no caso do BRB com o Master. Diga a ele que recolha os flaps, porque ele está sendo investigado”, pediu Celina ao telefone.
O "aviso" que Celina buscou dar a Ibaneis é a prova definitiva de que ela não era espectadora confusa no processo, mas uma autoridade que sabia exatamente que o esquema acontecendo. Ao admitir que “estamos sendo investigados”, ela se inclui. Não fala como alguém alheio, mas como parte do núcleo que já sentia o cerco fechar.
Por sua vez, ao falar em “recolher os flaps”, a reação não é de quem pretende interromper um ilícito, mas de quem busca conter danos diante de um cenário que saiu do controle. A preocupação não era com a ilegalidade do que estava sendo feito, mas com o avanço das investigações e seus possíveis desdobramentos.
Não havia ignorância. Havia consciência e cálculo. Celina sabia que o esquema havia ultrapassado qualquer limite técnico ou ético, mas preferiu agir nos bastidores para minimizar impactos, não para interromper o que estava errado. O movimento não foi de ruptura — foi de preservação.
Ao optar pelo aviso reservado em vez de uma denúncia formal, a governadora abriu mão do dever de ofício para garantir a sobrevivência de seu projeto político. O resultado é um silêncio que agora pesa — e que transforma a narrativa de “desconhecimento” em algo difícil de sustentar.

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