Há políticos que perdem a reeleição por falta de voto.
Normal.
Acontece.
Mas há aqueles que conseguem algo mais sofisticado: perder por excesso de burrada bem executada.
Não é descuido — é método.
Não é acaso — é projeto.
Com disciplina, consistência e aquela arrogância de quem acha que é maior que o próprio cargo, dá perfeitamente para sair de um mandato promissor direto para o esquecimento político.
Se a ideia é desaparecer das urnas com estilo, aqui vai o manual:
1) Deslumbrar-se com a eleição anterior
A vitória veio?
Ótimo.
Agora trate de acreditar que foi tudo mérito seu, um fenômeno da natureza, quase um evento divino. Ignore contexto, alianças, rejeição do adversário, conjuntura — detalhes irrelevantes.
Afinal, na sua cabeça, você não ganhou… você foi escolhido.
2) Abandonar os aliados
Aquela turma que carregou sua campanha nas costas?
Perfeita para ser esquecida assim que sair o resultado.
Suma, ignore, trate como figurante.
Na eleição seguinte, eles devolvem o favor — trabalhando com gosto para o seu adversário.
3) Transformar o mandato em negócio de família
Nada mais elegante do que confundir gabinete com empresa familiar.
Parente aqui, parente ali, primo acolá.
Meritocracia?
Claro — desde que o sobrenome bata.
A mensagem é cristalina: o mandato é público, mas o uso é privado.
4) Cercar-se de auxiliares despreparados (e barulhentos)
Escolher gente incompetente já é ruim.
Agora, escolha incompetentes fofoqueiros, intrigantes e vaidosos — aí o espetáculo fica completo.
Crise interna garantida, desgaste externo em tempo recorde e um gabinete que mais parece grupo de WhatsApp de condomínio.
5) Não ouvir ninguém
Ouvir é coisa de político inseguro.
O verdadeiro “líder” fala sozinho — e acredita em cada palavra.
Quando ninguém mais consegue te dar um conselho sincero, parabéns: você atingiu o estágio avançado da queda livre.
6) Abraçar quem está afundando
Tem alguém atolado em escândalo?
Perfeito.
Cole nele.
Defenda, justifique, relativize.
Diga que é perseguição.
No fim, você descobre que lealdade, na prática, pode ser só um elegante nome para suicídio político em dupla.
7) Errar até na nominata
Depois de fazer tudo errado, ainda dá para caprichar no final: escolher o partido errado, a chapa errada, o grupo errado.
É a cereja do bolo — ou melhor, o prego no caixão. Nem voto próprio salva.

No fim, a verdade é simples: eleição não se perde do nada. Se perde com “planejamento”, “insistência” e uma capacidade admirável de ignorar todos os sinais de alerta.
Tem gente que chama de azar. Outros chamam de destino.
Mas, olhando de perto… parece mais um projeto muito bem executado de como dar tudo errado.



