A incrível história do coronel Diógenes Alves de Quinta: reserva na sexta (27/2), nomeação no PTTC na segunda (02/3) e praia na quarta (04/3)
Ligado politicamente ao deputado distrital Roosevelt Vilela, o coronel Diógenes Alves de Quinta, ex-subcomandante-geral do Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF), teve o nome ligado a uma sequência de atos administrativos que dentro da corporação lhe rendeu a alcunha de “O Fura-Fila do PTTC”.
Na sexta-feira (27/2), o oficial foi transferido para a reserva remunerada por quota compulsória — situação que, em regra, representa o afastamento do serviço ativo da corporação. Mas não foi o que ocorreu no caso do coronel Diógenes de Quinta.

Portaria publicada no Diário Oficial em 27 de fevereiro de 2026 transfere o coronel Diógenes Alves de Quinta, então subcomandante-geral do CBMDF, para a reserva remunerada por quota compulsória.
Isso porque, ainda na sexta-feira (27/2), mesmo dia da publicação da reserva remunerada, a Diretoria de Inativos e Pensionistas (DINAP) publicou ato solicitando ao oficial o envio de certidões negativas, com vistas à sua nomeação no regime de Prestação de Tarefa por Tempo Certo (PTTC).

Ato da Diretoria de Inativos e Pensionistas (DINAP), publicado no mesmo dia da transferência para a reserva, solicita ao coronel Diógenes Alves de Quinta o envio de certidões negativas para viabilizar sua nomeação no regime de Prestação de Tarefa por Tempo Certo (PTTC).
Incrivelmente, na segunda-feira (02/3), apenas três dias depois, de Quinta já apareceu nomeado no PTTC como assessor do atual comandante-geral, coronel Moisés Alves Barcelos.

Boletim Geral do CBMDF de 2 de março de 2026 formaliza a nomeação do coronel da reserva Diógenes Alves de Quinta para a Prestação de Tarefa por Tempo Certo (PTTC), no Gabinete do Comandante-Geral.
A cronologia oficial tenta validar a tese de que os “nada consta” foram analisados ao longo do fim de semana e que a inspeção de saúde — etapa exigida no procedimento de nomeação — foi realizada em pleno sábado ou domingo.
A sequência dos fatos evidencia, ainda, que a nomeação ocorreu sem a observância das regras que regem o processo seletivo previsto para a vaga.
“Além de ser mais moderno do que os outros que estão na fila das dez vagas, ele é o último da lista e acabou passando todos de forma arbitrária, sem obedecer aos trâmites normais e legais. Isso gerou revolta entre os mais antigos, que agora falam em abandonar o apoio por causa da indignação com o que aconteceu”, disse um militar ouvido pela reportagem.
E quando se poderia esperar que o oficial estivesse em plena atividade após a rápida nomeação, ele aparece na praia. Na quarta-feira (04/3), apenas dois dias após o ato que o colocou no PTTC, o coronel Diógenes de Quinta surge em registros nas redes sociais em viagem a Maragogi (AL), com copo de bebida nas mãos.

Dois dias após aparecer oficialmente nomeado no PTTC, o coronel Diógenes Alves de Quinta publica registros de viagem à praia em Maragogi (AL).
Nos bastidores do CBMDF, a rapidez da sequência de atos e a ausência de referência a qualquer processo seletivo para a vaga passaram a ser apontadas por militares como pontos que merecem explicação — especialmente diante da conhecida proximidade do coronel com o deputado distrital Roosevelt Vilela.
Talvez seja por isso que, nas conversas entre militares, o apelido apareça sempre acompanhado de uma observação: “O Fura-Fila do PTTC” puxa-saco de Roosevelt Vilela.



