Primo de deputado Roosevelt Vilela vira exceção no concurso do CBMDF e levanta suspeita de favorecimento

206 indeferimentos contra apenas 38 deferimentos: o retrato de uma etapa que eliminou a maioria esmagadora dos candidatos PcDs no concurso do CBMDF.
Enquanto quase 90% dos candidatos com deficiência foram barrados na etapa biopsicossocial do concurso do CBMDF, um nome escapa à regra — e chama atenção: Raphael Silvano Lima Pires.

Raphael Silvano Lima Pires, primo do deputado distrital Roosevelt Vilela Pires.
Deficiente físico, mas primo do deputado distrital Roosevelt Vilela Pires, ele figura entre os raros PcDs considerados aptos. E não em um único quadro, mas em quatro: G1, G2, G4 e CFO — um desempenho que, por si só, já destoa completamente do padrão observado no certame.
As coincidências vão além da aprovação. Raphael, conhecido como “Rafinha” no gabinete de Roosevelt, ocupa cargo junto ao parlamentar desde 2 de janeiro de 2019 — recebendo hoje R$ 12.950,39 dos cofres públicos.

Se o deputado é capaz de ignorar o nepotismo e a própria moralidade administrativa dentro do seu gabinete, não seria surpresa ver esse mesmo critério sendo relativizado em outras esferas — especialmente se for para beneficiar alguém do seu círculo familiar e em decisões ligadas ao CBMDF, onde exerce total influência.

Com base em planilhas apreendidas com Ibaneis Rocha, no âmbito de investigação conduzida pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal, Roosevelt Vilela seria apontado como responsável por indicar cargos de direção no CBMDF.
O concurso, que já é alvo de denúncias por possível capacitismo institucional e violação de direitos, passa agora a enfrentar questionamentos sobre critérios, coerência e eventual favorecimento.
No silêncio da banca e da corporação, a pergunta que fica é simples — e incômoda: o problema era a deficiência… ou quem estava sendo avaliado?



