O Memorando Circular nº 55/2026 do DOP da PMDF, que regulará o serviço de Supervisor-de-Dia entre 1º e 31 de maio de 2026, escancara uma distorção que vai além da concentração de cotas do Serviço Voluntário Gratificado (SVG) entre oficiais.

Memorando Circular Nº 55/2026 - PMDF/DOP/GAB/SSAD, de 22 de abril de 2026.
Trata-se de algo mais grave: da institucionalização do desvio de finalidade da gratificação, que foi criada para reforçar a atividade operacional e ampliar a presença de policiais na atividade-fim, não para servir como objeto destinado a custear uma atividade que já é inerente ao cargo dos oficiais.
A tabela, constante no memorando, revela a existência de nove supervisões diárias, todas destinadas a oficiais, o que, ao longo do mês de maio, representará, somente no âmbito dos CPRs, 279 cotas direcionadas exclusivamente a esse grupo (o equivalente a R$ 212.040,00).

Enquanto isso, na base, o cenário é outro. Praças relatam dificuldade extrema para acessar o serviço voluntário, com muitos passando o mês inteiro sem conseguir sequer uma escala. O contraste é direto: há oficiais acumulando até R$ 7.600,00 por mês em cotas, ao passo que os policiais que realmente exercem a atividade-fim ficam de fora.
O supervisionamento do policiamento ostensivo é atribuição típica do oficial e não se confunde com o policiamento ostensivo. Não se trata de reforço operacional, mas de função de comando.
Nos bastidores, o mecanismo reforça a concentração. Diferente do que ocorre com os praças, os oficiais sequer precisam se inscrever no sistema: integrantes do Departamento de Operações (DOP) entram em contato, ofertam as vagas e realizam o lançamento diretamente. Há, inclusive, grupos exclusivos de comunicação para essa distribuição, o que elimina qualquer aparência de igualdade no acesso.
O resultado é uma engrenagem fechada: cotas ampliadas para oficiais, controle centralizado da escala e ausência de concorrência real. Antes mesmo do fim de abril, a informação é de que, ontem (26/4), não havia um único oficial disponível para supervisão no clássico verde-amarelo do DF, no Estádio Serejão, porque todos já haviam atingido o limite de dez cotas no mês.
Na prática, o SVG deixou de cumprir sua função de reforço operacional e passou a sustentar uma estrutura paralela de remuneração para atividades internas — enquanto quem está na rua, e deveria ser priorizado, fica sem acesso à gratificação.
Isso sem considerar os relatos de que, em determinados casos, o serviço de supervisão é cumprido em regime de prontidão domiciliar, com acionamento apenas eventual — o que, se confirmado, torna o cenário aqui denunciado ainda mais reprovável.









