Após A Voz dos Praças veicular matéria sobre criança que peregrinou por 36 horas com 40°C de febre entre hospitais e, ao fim, teve como única resposta o paracetamol, chega à reportagem o relato de outra mãe que viveu drama semelhante: o filho também ardia em febre — aqui, a resposta foi dipirona.

O caso, que se iniciou no Hospital Materno Infantil de Brasília (HMIB), deixa claro que o problema não é isolado e se repete em toda a rede pública de saúde do Distrito Federal.
No sábado (11), a mãe chegou à unidade por volta das 13h e, sete horas depois, às 20h, ninguém havia sido atendido. Mais de 40 crianças com pulseira de prioridade, muitas febris, abandonadas por um Estado que deveria protegê-las.
Sem qualquer previsão de atendimento e já exausta da espera, a mãe decidiu retornar para casa com o filho.
Poucas horas depois, ainda naquele sábado, o quadro se agravou, e a mãe, moradora de Ceilândia, correu com a criança para a UPA da cidade, já não apenas com febre, mas também com sangramento nasal e sinais evidentes de piora decorrentes da negligência anterior.
Mesmo assim, o atendimento não foi imediato e, após nova espera, a resposta foi a mesma lógica de abandono: orientação de retorno para casa, lavagem com soro fisiológico e prescrição de dipirona.

No Distrito Federal, a dificuldade já não está apenas em conseguir chegar até uma unidade de saúde, mas, sobretudo, no que acontece depois, quando, mesmo diante de sintomas evidentes, o atendimento não chega ao básico e o paciente retorna para casa sem nenhuma solução.
Mais um caso em que a “recomendação” não resolveu o problema: o quadro persisti, o sangramento continua e a mãe segue desesperada em busca de atendimento.










